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Há mais de 15 anos que a economia portuguesa não criava tantos empregos num trimestre

É preciso recuar a 1998 para encontrar um trimestre comparável ao período entre Abril e Junho deste ano. O número de empregos criados até supera o registado no período que ficou marcado pelo arranque da Expo 98.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 07 de Agosto de 2013 às 14:25
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A estatísticas do emprego referentes ao segundo trimestre deste ano, reveladas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) esta quarta-feira, representam uma clara inversão de tendência face aos relatórios trimestrais anteriores.

 

Para encontrar um trimestre comparável como o que terminou em Junho é preciso recuar a 1998, precisamente no segundo trimestre, altura em que arrancou a Expo 98 (22 de Maio).

 

Segundo revelou o INE, a taxa de desemprego em Portugal desceu de 17,7% no primeiro trimestre deste ano para 16,4% no segundo trimestre. Uma queda de 1,3 pontos percentuais que só é igualada pelo verificado no segundo trimestre de 1998. Nessa altura a taxa de desemprego recuou de 5,8% para 4,5%.

 

A conjuntura era então totalmente diferente da actual. Com o forte impulso da Expo 98, a economia portuguesa vivia um período de forte crescimento, atingindo uma das taxas de desemprego mais baixas de sempre.

 

No segundo trimestre desse ano, a população desempregada desceu 65 mil, para 230,8 mil pessoas. Desde então, uma queda superior só no segundo trimestre deste ano, de acordo com a análise do Negócios à base de dados do INE. A população desempregada recuou 66,2 mil pessoas face aos três meses anteriores, para 886 mil. Apesar da redução, o número de desempregados é hoje quase quatro vezes superior ao verificado em 1998.

 

Criação de emprego no segundo trimestre não anula perda dos três meses anteriores

 

Um dos números mais positivos revelados esta quarta-feira pelo INE está contudo no número de empregos criados, que nem em 1998 encontra paralelo.

 

No segundo trimestre deste ano a população empregada aumentou em 72,4 mil, atingindo 4,5 milhões de pessoas. Trata-se do número mais elevado desde 1998, o primeiro ano em que o INE disponibiliza dados históricos sobre o emprego.

 

No segundo trimestre de 1998 foram criados 69 mil empregos, com a população empregada a atingir 4,867 milhões de pessoas.

 

Apesar do bom registo do segundo trimestre deste ano, que reflecte a recuperação da economia portuguesa e o efeito sazonal (o segundo trimestre é habitualmente favorável à criação de emprego), este aumento serve apenas para atenuar a forte destruição de emprego que tem penalizado a economia portuguesa nos últimos dois anos.

 

A criação de empregos no segundo trimestre nem consegue anular os postos de trabalho perdidos nos primeiros três meses do ano (98,6 mil). Nos dois anos até ao final do primeiro trimestre deste ano a economia portuguesa destruiu mais de 430 mil postos de trabalho.

 

Ainda assim, os números divulgados pelo INE vêem juntar-se a outros que levaram os economistas (Católica e Montepio) a estimar que a economia portuguesa terá regressado ao crescimento no segundo trimestre deste ano, pondo fim a uma recessão que dura desde o início de 2010.

 

Outras estatísticas, reveladas por outras fontes que não o INE, também apontam para uma recuperação da economia portuguesa, com um forte crescimento no número de empresas criadas e descida nas insolvências. 

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