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José Soeiro diz que "o Governo teve um programa para a juventude: o 'bazem'"

O deputado José Soeiro criticou as políticas do Governo para os jovens, que, acusa, incentivaram a emigração. Agora, o programa VEM vai ser um “microcrédito para cada 10 mil pessoas que emigraram”. E recorda as “palhaçadas do Miguel Gonçalves”.

Miguel Baltazar
Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 18 de Março de 2015 às 18:34
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O bloquista José Soeiro fez esta quarta-feira a sua primeira declaração política desde que regressou ao Parlamento para substituir João Semedo, que está a recuperar de uma operação. O pretexto foi o programa de incentivo ao regresso de emigrantes, VEM. Soeiro começou por criticar o problema a montante: a emigração, ou, nas suas palavras, o programa "Bazem". "Durante os últimos três anos, o Governo teve um programa para a juventude: o ‘bazem’", acusou.

 

"Começou com Passos Coelho, em 2011, a dizer aos professores que tinham que olhar para ‘o mercado da língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa’. Bazem. Depois foram os conselhos em estilo auto-ajuda, dizendo que era preciso abandonar ‘a zona de conforto’. Ou seja: bazem", descreveu. E aqui o Governo foi consequente: "Ao menos neste ponto, o Governo foi relativamente bem-sucedido".

 

"Com o desemprego a atingir quase metade dos jovens, com a precariedade a constituir-se na regra do mercado de trabalho, com a imprevisibilidade do futuro a ser a única certeza para toda uma geração, mais de 100 mil portugueses bazaram mesmo em cada ano, desde 2011", lamentou. 

 

"Sair do país por escolha e por vontade é um acto de liberdade" reconheceu Soeiro; porém, "quando temos dezenas de milhares a emigrar não estamos, apenas, a falar de escolhas individuais. A maioria destes jovens não viajou. Nem emigraram. Foram expulsos. Expulsos do seu país", acusou.

 

É neste contexto que aparece o programa de apoio ao regresso dos emigrantes, o VEM – Valorização do Empreendedorismo Emigrante, da responsabilidade de Pedro Lomba, secretário de Estado adjunto do ministro Poiares Maduro. E apesar de ao início nada se saber sobre o alcance do programa, "lá foram ideando alguns pormenores", nomeadamente "apoiar entre 30 a 40 projectos (sim ouviram bem, entre 30 a 40 projectos) de emigrantes que queriam criar a sua própria empresa, mais alguns estágios, pagos pelos fundos sociais", detalhou Soeiro.

 

Ora, "40 projectos para mais de três centenas de milhares de emigrantes, sem mexer nas políticas emprego, na política económica, na dívida que estrangula, nas políticas de habitação", resumiu o bloquista. "Ou seja, é quase um microcrédito por cada 10 mil pessoas que emigraram. Está-se mesmo a ver que este imperativo VEM do Dr. Lomba vai ser um retumbante sucesso. Vai vir charters de emigrantes de volta", ironizou.

 

Empreendedorismo é a "palavra mágica" do Governo

 

José Soeiro não perdeu a oportunidade para ridicularizar uma das apostas do Governo. "Nós já sabíamos que quando faltam propostas, o Governo saca da palavra mágica: o ‘empreendedorismo’", afirmou Soeiro. Para suportar a sua tese, o deputado reproduziu uma passagem do programa de Governo do PSD: "o empreendedorismo é uma revolução que será para o século XXI mais importante do que a revolução industrial foi para o século XX". "A frase é ridícula, mas, para nossa vergonha colectiva, faz parte do programa de Governo proposto ao país pelo PSD", lamentou.

 

Soeiro foi ainda "buscar" Miguel Gonçalves, o embaixador do Impulso Jovem recrutado por Miguel Relvas. "Ao mesmo tempo que mandava os jovens bazarem, o Governo engalanava-se com uma mão cheia de medidas de ‘promoção do empreendedorismo’ como receita para responder ao problema do desemprego", entre os quais os "Passaportes empreendedorismo, vales empreendedorismo, empreendedorismo para crianças".

 

"Tudo isto envolvido com as palhaçadas do Miguel Gonçalves sobre a necessidade de ‘bater punho’ e os convites para os jovens desempregados irem ‘vender pipocas’ para a rua", sublinhou.

 

 "Como se o problema do desemprego fosse uma questão de ‘querer muito’ ou de um ‘défice de cultura empreendedora’ e não uma consequência de escolhas colectivas de política económica, com a austeridade a arrasar a economia e a riqueza que devia ir para a criação de emprego a ser sugada pelos juros da dívida e pelo financiamento dos escândalos da banca", explicou.

 

O novo programa VEM "parece um insulto" e "é uma espécie de Miguel Gonçalves, take 2, agora sem Relvas mas com Lomba".

 

Soeiro deixou sugestões ao Governo para fazer os jovens regressar. "Inventem menos programas para inglês ver, deixem a religião da austeridade de lado, deixem a vassalagem europeia e ponham a economia a crescer e a criar empregos. Empregos, não estágios, nem contratos inserção, ou falsos recibos verdes. Empregos que permitam projetar uma vida, ter autonomia e olhar para o futuro com alguma esperança", sustentou.

 

Nuno Sá, do PS, concordou que a proposta entra "para o anedotário parlamentar".

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