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Maputo: O prazer de pisar a calçada portuguesa em África

Mariana está em Moçambique e é lá que quer crescer pessoal e profissionalmente. A adaptação ao país foi rápida e automática e é com "muito gozo" que diariamente aprende o significado de uma palavra em dialecto.

Negócios 27 de Fevereiro de 2013 às 23:30
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Uma viagem de férias a Moçambique, em família e com "um sonho antigo" na bagagem, é assim que começa a história de Mariana Dimas. Licenciada em farmácia, sempre acalentou o sonho de fazer voluntariado mas, até recentemente, nunca tinha surgido a oportunidade: por falta de tempo e por falta de dinheiro.


Em 2012, com o contrato de trabalho a terminar e tendo em conta as condições do mercado de trabalho em Portugal, Mariana achou que tinha chegado o momento de cumprir aquele "sonho tão querido".


Na mesma altura, a sua família (mãe, tios e avós) estava a organizar uma viagem de férias de regresso a Moçambique, o país que tinham deixado há 40 anos. Para Mariana foi a oportunidade de conhecer o país sobre o qual toda a vida ouviu histórias, quer pela voz da mãe, quer pela dos avós. Foi desta forma que cresceu com Mariana a vontade de fazer voluntariado em Moçambique, na área da educação com crianças e jovens. E assim, aproveitou o momento em que o contrato de trabalho em Portugal terminou, e fez coincidir a ida para um programa de voluntariado com as férias da Páscoa com a família, numa viagem que classificou de "muito bonita e emotiva".


Terminadas as férias, Mariana parte para a Ilha de Moçambique e concretiza um sonho. O programa de voluntariado é uma "experiência enriquecedora" que a ajudou a compreender-se e a conhecer os seus limites, sem esquecer a gratificação ligada às relações humanas e as amizades que construiu. No programa de voluntariado Mariana trabalhava de perto "com jovens e crianças" na área da educação. Decorridos três meses, este projecto chegou ao fim e a Mariana regressou a Portugal. No entanto, soube desde o primeiro dia "que o desejo era regressar a Moçambique" e todos os seus esforços foram nesse sentido.


No fim de Julho Mariana regressa a Moçambique. Nesta altura está a trabalhar como farmacêutica no hospital Instituto do Coração em Maputo. A proposta fascinou-a porque o hospital tem estatuto de organização não-governamental e dá tratamento a crianças "indigentes". Mariana viu nesta proposta a possibilidade de continuar a "trabalhar" na causa social que tinha abraçado uns meses antes. O dia-a-dia de Mariana é composto por desafios constantes mas faz questão de frisar que Moçambique "tem muito potencial", as pessoas têm "muita vontade de trabalhar", que são cada vez mais os profissionais competentes na área da saúde e que só assim é possível "levar o barco para a frente".


Adaptar-se a Moçambique foi "rápido e quase automático" e é com "muito gozo" que diariamente aprende o significado de uma palavra em dialecto ou prova um prato típico novo. Em Moçambique a integração é facilitada "pela presença" portuguesa - diz Mariana que é "com muito prazer" que pisa a calçada portuguesa. Mas nem tudo é um mar de rosas e há questões que "num país da Europa" não "passariam pela cabeça" de ninguém e conta que, recentemente, uma explosão na central térmica de Maputo deixou várias regiões do sul do país às escuras durante vários dias, "incluindo a capital do país". A Mariana diz que quando se vai para um país como Moçambique, é necessário "paciência, tolerância, abertura e espírito de aventura".


Aos 26 anos e a sorrir, Mariana assume que é feliz, apesar das "muitas saudades da família e da cidade de Lisboa". Identificada com Moçambique desde o início, esta farmacêutica natural de Lisboa, diz que o balanço é positivo, o lugar dela neste momento é em Maputo e que nos próximos anos é lá que quer "crescer" a nível pessoal e profissional.

 

 

O conselho
Mariana adverte que quando se vai para um país como Moçambique é necessário paciência, tolerância, abetura e espírito de aventura.

 

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