Emprego Norte concentra os concelhos mais afectados pelo desemprego

Norte concentra os concelhos mais afectados pelo desemprego

O aumento do desemprego é um fenómeno transversal a quase todo o País, idades e qualificações. No entanto, em algumas regiões portuguesas o impacto é mais forte, chegando a afectar mais de uma em cada quatro pessoas.
Norte concentra os concelhos mais afectados pelo desemprego
Nuno Aguiar 28 de fevereiro de 2013 às 14:01

Há cada vez mais desempregados | As filas de desempregados à porta dos centros de emprego têm vindo a engrossar.  

 

 

A distribuição de cores do mapa de Portugal torna a principal conclusão fácil de observar: dos 21 concelhos com mais desemprego, 18 estão na região Norte do País. Mesão Frio, Resende, Cinfães e Baião partilham o facto de terem o maior número de desempregados em comparação com a população activa.


Esta conclusão parte do cruzamento de duas bases de dados por parte do Negócios, conjugando os números do desemprego registado recolhidos pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e os indicadores de população activa disponibilizada nos últimos Censos (2011). A análise desses dados permite calcular uma "taxa de desemprego registado", diferente da taxa de desemprego oficial, mas a única a que é possível chegar, numa divisão por concelhos. De fora ficam os portugueses que, apesar de estarem à procura de trabalho, não estão registados num centro de emprego.


Os valores desta taxa variam entre os 8% de Vale de Cambra e os 27,2% de Mesão Frio, com uma taxa média de 14,1% na totalidade do País (excluindo as ilhas). Curiosamente, os dois concelhos são apenas separados por 345 desempregados. A grande diferença está na dimensão da população activa de ambos. Na realidade, em termos nominais, Alcoutim é o concelho com menos desempregados registados, apenas 89 (e uma taxa de 9,4%). Quem tem mais? Vila Nova de Gaia, com 33,4 mil pessoas registadas nos centros de emprego (21,9%).

 

"O desemprego é um processo pelo qual o País tem que passar. Sabemos que vai ainda aumentar antes de ver o seu declínio."
 
Pedro Passos Coelho

Se a análise se focar na evolução dentro de cada concelho, os dados mostram que Sines e Mação são, de longe, aqueles em que o aumento do desemprego registado foi mais significativo entre 2010 e 2012 (143,9% e 142,6%, respectivamente). No espectro oposto, Torre de Moncorvo e Vila Nova de Paiva são os concelhos com as maiores quebras (-11,6% e -8,8%).


Nos últimos meses, o Governo tem dito que o desemprego é a sua maior preocupação, anunciando novas medidas de estímulo à contratação. A explosão do desemprego tem sido uma das consequências mais dramáticas do programa de ajustamento português e da estratégia de austeridade. Apanhou de surpresa tanto o Governo como a troika e bateu recorde atrás de recorde. Com um final de ano mais negativo do que aquilo que se esperava, a Comissão Europeia decidiu rever as suas previsões de crescimento para este ano, antecipando agora uma recessão de 1,9%. Para o mercado de trabalho, isso significa uma continuação da subida da taxa de desemprego para uma média de 17,3%, que se traduz em 933 mil portugueses sem trabalho.

 

A confirmarem-se as previsões - que têm sido constantemente revistas em alta - Portugal terá duplicado o seu número de desempregados em cinco anos, com mais 463 mil pessoas à procura de trabalho. Apesar desta evolução drástica desde a crise financeira de 2008, o agravamento do desemprego começou no início da década passada, coincidindo com a entrada de Portugal na Zona Euro. Em 2000, existiam apenas 231 mil portugueses desempregados. Hoje são quatro vezes mais.

 

 
Só 13% dos jovens recebe mais de 600 euros 
Um em cada oito jovens portugueses activos com menos de 25 anos está empregado e a receber mais de 600 euros por mês. Os números são do Instituto Nacional de Estatística (INE) e mostram que existem 475,5 mil jovens activos. Destes, 229 mil estão empregados. Fazendo as contas aos que divulgaram a sua remuneração, apenas 57,4 mil recebem mais de 600 euros líquidos. Ainda antes de se preocuparem com os salários baixos, os jovens portugueses têm de enfrentar uma taxa de desemprego muito elevada. No último trimestre do ano estava nos 40%, mas em termos "reais" já atingia os 55%. Desde o início de 2011, quando começou a nova série de estatísticas do emprego do INE, desapareceu um terço dos postos de trabalho ocupados por jovens com contratos a prazo e 20% dos que estavam integrados nos quadros. Ao mesmo tempo, para quem tem mais de 45 anos e tem um contrato sem termo, a crise económica não trouxe uma destruição de emprego significativa, registando até um ligeiro crescimento nos últimos 12 meses.



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