Emprego O que é que separa as mulheres de hoje das suas mães?

O que é que separa as mulheres de hoje das suas mães?

Em comparação com as suas mães, as mulheres de hoje têm níveis mais altos de escolaridade, de participação no mercado de trabalho e de partilha de tarefas domésticas. Mas são necessárias, pelo menos, mais cinco gerações para chegar a uma partilha igualitária desse trabalho não pago.
O que é que separa as mulheres de hoje das suas mães?
reuters
Susana Paula 12 de fevereiro de 2019 às 15:13

As mulheres de hoje têm níveis mais altos de escolaridade, de participação no mercado de trabalho e de divisão das tarefas domésticas do que tinham as suas mães, mas são necessárias pelo menos cinco gerações para que homens e mulheres repartam, de forma igualitária, o trabalho doméstico.

Esta é uma das conclusões do estudo "A Mulher, hoje", divulgado esta terça-feira, 12 de fevereiro, pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, e que procurou descrever várias temáticas relacionadas com a mulher, e que vão da sua atitude perante a vida, passando pela situação económica, a questões da violência, entre outros.

Mais de um terço das mulheres hoje tem um grau de ensino superior 

"Hoje em dia, é tão habitual passar pela universidade como deixar de estudar aos 17 ou 18 anos, depois de concluir o ensino secundário ou pós-secundário", lê-se no relatório.


Entre as mulheres com ensino superior, as três áreas mais comuns são o direito, ciências sociais e serviços; economia, gestão e contabilidade; e humanidades, secretariado e tradução.


Já comparando o nível de estudos das mulheres de hoje com o obtido pelas suas mães, a "esmagadora maioria" (84%) da geração de hoje tem um nível de escolaridade superior ao da geração anterior.


Na geração anterior, 73% das mulheres tinham uma escolaridade até ao ensino básico, 17% tinham concluído o ensino secundário e apenas 10% tinham ensino superior.


Hoje, 36% das mulheres (em média com 40 anos) têm ensino superior (dos quais 9% são mestres ou doutoradas), 39% têm o ensino secundário e apenas 25% têm apenas o ensino básico.


Mais mulheres participam no mercado de trabalho


"Em termos de ocupação, hoje em dia são quase inexistentes os casais em que pelo menos algum dos membros do casal não tem experiência no mercado de trabalho, tendo passado de 25% para os atuais 2%", segundo o estudo.


Na geração anterior, em 75% dos casais, tanto o homem como a mulher já tinham participado no mercado de trabalho. Hoje, essa percentagem é de 98%.


Hoje, 71% das mulheres têm trabalho pago e quase todas as mulheres com experiência no mercado de trabalho admitem que "têm dificuldades em progredir hierarquicamente porque a maioria das empresas é dirigida por homens e estes preferem promover outro homem".


Partilha das tarefas domésticas aumenta


"Entre as mulheres que vivem com um homem e têm trabalho pago, que são 43% dos 2,7 milhões de mulheres que esta investigação representa, houve uma evolução favorável na partilha das tarefas domésticas", tanto nos casais mais jovens, como nos mais velhos.

 

Nos casais com as mulheres com menos de 41 anos, mais de um terço (37%) "são simétricos" na partilha das tarefas domésticas, mas cerca de um quinto (21%) das mulheres assume a responsabilidade quase total por este trabalho.

 

Nos casais mais velhos (onde as mulheres têm 41 anos ou mais), a simetria entre tarefas ocupa uma proporção mais baixa (30%). Mas a grande diferença está no número de mulheres que diz ser responsável sozinha pelas tarefas domésticas: 33%.

 

Nestes casais, os homens encarregam-se, em média, de 26% das tarefas domésticas, o que é 4 pontos mais do que se encarregam os homens que partilham a vida com mulheres com mais idade.

 

"Ao ritmo a que a contribuição do homem nas tarefas domésticas evoluiu na última geração, para que os pesos entre a mulher e o homem fiquem iguais, nos casais em que ambos têm trabalho pago, faltam entre cinco e seis gerações", conclui o estudo. 




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