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OIT: "Jovens mais talentosos e qualificados têm vindo a ser empurrados para a emigração"

A OIT alerta hoje para o crescimento do desemprego em Portugal desde 2008, com a perda de um em cada sete empregos, e afirma que a situação não melhorou desde o lançamento do programa de assistência financeira acordado com a troika.

Lusa 04 de Novembro de 2013 às 09:16
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"Portugal enfrenta a situação económica e social mais crítica da sua história económica recente. Desde o início da crise global, em 2008, perdeu-se um em cada sete empregos -- a mais significativa deterioração do mercado de trabalho entre os países europeus, depois da Grécia e de Espanha", diz o relatório sobre o mercado de trabalho e o desemprego em Portugal, que a Organização Internacional do Trabalho apresenta hoje.

 

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) apresentará hoje um relatório, a que a agência Lusa teve acesso, onde analisa o impacto da crise económica global no mercado de trabalho em Portugal, com o título "Enfrentar a crise em Portugal".

 

O relatório será lançado numa "Conferência de Alto Nível", em Lisboa, que contará com a participação de membros do Governo de Portugal, representantes dos trabalhadores e representantes dos empregadores.

 

O Director Geral da OIT também estará presente na reunião.

 

No relatório a debater em Lisboa, a OIT salienta que "a taxa de desemprego em Portugal atingiu um máximo histórico de mais de 17%" e que "os trabalhadores jovens e as famílias com crianças de tenra idade têm sido afectados desproporcionadamente pela contracção económica".

 

"O mercado de trabalho não registou qualquer melhoria desde o lançamento do programa de assistência financeira acordado com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, em 2011. De facto, a tendência de desemprego crescente intensificou-se nos últimos dois anos -- embora com alguns sinais de redução nos meses mais recentes", refere o documento.

 

De acordo com a OIT, o volume do investimento produtivo em Portugal foi reduzido em mais de um terço desde 2008 -- tendo-se verificado grande parte deste declínio nos dois últimos anos --, provocando uma erosão nos ganhos de produtividade e prejudicando uma prosperidade futura.

 

"Os mais de 56 por cento de desempregados que estão sem trabalho há mais de um ano estão a perder competências e motivação, e terão acrescida dificuldade em participar numa retoma económica futura caso não lhes seja prestado um apoio adequado. Muitos trabalhadores, incluindo parte dos jovens mais talentosos e qualificados, têm vindo a ser empurrados para a emigração", salienta o relatório.

 

Para a OIT, a "situação crítica" do país reflecte uma combinação de factores macroeconómicos e de fatores estruturais.

 

"A política orçamental tem sido orientada para uma rápida redução dos défices, os quais haviam atingido proporções alarmantes. As medidas de restruturação do sector público contribuíram directamente para o desemprego. Os cortes nos salários e nas prestações sociais, combinados com certos aumentos fiscais, desgastaram os rendimentos das famílias e a procura interna", refere.

 

Segundo a OIT, as sucessivas políticas activas de emprego e os serviços públicos de emprego têm sido insuficientes para fazer face ao aumento significativo do desemprego registado nos últimos anos.

 

A organização internacional defende que é necessária uma nova estratégia e lembra, nomeadamente, que a proporção de trabalhadores a auferir o salário mínimo mais do que duplicou desde o início da crise. 

 

"Parece ser necessário começar de novo para enfrentar estas tendências. Tais mudanças de políticas terão de ter em conta a estagnação de longo prazo com que Portugal já se defrontava antes da crise. Entre 2000 e 2008, a taxa de desemprego registou uma suave tendência de subida. Os rendimentos médios reais da população portuguesa estagnaram, ao contrário do sucedido na maioria dos países da UE", concluiu o relatório.

 

 

 

 

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