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Pandemia trava crescimento dos salários em Portugal

O acesso em massa ao regime de lay-off simplificado implicou uma redução da remuneração média declarada em Portugal, explica o INE. Ritmo de progressão salarial travou para metade, com um crescimento de 1,6% no segundo trimestre do ano.

Bloomberg
Manuel Esteves mesteves@negocios.pt 06 de Agosto de 2020 às 11:05
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É mais um efeito negativo da chegada da pandemia de covid-19 a Portugal. O salário bruto médio em Portugal subiu 1,6% no segundo trimestre deste ano face ao mesmo período do ano passado, o que representa uma desaceleração face ao primeiro trimestre, quando o crescimento foi o dobro, de 3,2%.

Os dados, recolhidos e trabalhados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), dizem respeito às remunerações brutas que são obrigatoriamente declaradas pelas entidades patronais à Segurança Social e constituem uma das informações mais sólidas sobre a evolução dos salários em Portugal. Em causa está um universo de quatro milhões de trabalhadores, a maioria descontando para a Segurança Social e os restantes para a Caixa Geral de Aposentações, onde estão grande parte dos funcionários públicos. 

O INE explica esta travagem do crescimento dos salários com o regime de lay-off simplificado, que implicando uma redução do salário dos trabalhadores em um terço (não podendo descer abaixo do salário mínimo) acaba por afetar a média das remunerações declaradas. Entre as empresas que recorreram a este regime (não necessariamente para todos os trabalhadores), "a variação nominal homóloga das remunerações totais médias" foi de -2%. Já as empresas que não recorreram a este regime especial, viram o salário médio total subir 5,5%. 

A remuneração total bruta, de que estamos a falar e que inclui os subsídios de férias e de Natal e todas as outras componentes salariais, situou-se assim em 1.326 euros. 

O INE avança também informação sobre a remuneração regular bruta (1.065 euros em junho), que se distingue por excluir estes subsídios, permitindo desse modo uma comparação menos influenciada pelos efeitos sazonais. E isso nota-se nas variações. Aqui, o crescimento foi ligeiramente superior, de 2,6% e a travagem de apenas 0,4 pontos percentuais. 

Se restringirmos ainda mais o conceito remuratório e olharmos apenas para o salário-base (1.005 euros), as conclusões mudam ainda mais. Aí, o ritmo de progressão salarial no segundo trimestre mantém-se exatamente igual ao verificado nos primeiros três meses do ano, de 3%.  

[Notícia atualizada às 11h26]
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