Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

San Fernando: A surpresa foi a distância a que ficam as praias

Cláudio Gonçalves é engenheiro e está a construir uma auto-estrada na ilha de Trinidad, onde ficará até 2015. A instabilidade que se vive no sector da construção em Portugal inibe-o de fazer planos. Por isso, vai desfrutando o momento.

Negócios 27 de Fevereiro de 2013 às 23:30
  • Assine já 1€/1 mês
  • 3
  • ...

Foi a "necessidade" que levou o Cláudio Gonçalves, engenheiro civil, a deixar Portugal em março de 2012. O momento difícil que o país atravessa faz com que o sector da construção esteja "praticamente parado" e Cláudio sentiu a necessidade de procurar emprego no "mercado internacional". A oportunidade de ir para as Caraíbas, mais concretamente para Trinidad e Tobago, surgiu através de uma "grande construtora brasileira".

 

Cláudio confessa que, na altura em que lhe falaram deste país das Caraíbas, apesar de saber onde o país se situava, ficou "um pouco surpreendido" já que o principal destino da emigração portuguesa na "área da construção é "África". Apesar da surpresa inicial, o Cláudio achou que este podia ser um desafio "interessante e aliciante", e resolveu aceitar. Até agora, afirma, não se arrependeu.


Na ilha de Trinidad, onde está a trabalhar na construção de uma auto-estrada, este engenheiro português de 30 anos é o responsável pelo planeamento de toda a obra. Faz também o acompanhamento e controlo da mesma, e tem ainda a oportunidade de participar no processo de recrutamento, o que lhe permite o "contacto com os locais".

 

Trinidad e Tobago é um estado soberano que se divide em duas ilhas: Tobago é a ilha "dos postais das caraíbas", muito virada para o turismo. Já Trinidad é "mais industrial" com a economia a assentar em explorações de petróleo e gás natural o que, conta Cláudio, faz com que os locais se "orgulhem do facto de Trinidad não precisar do turismo" para a sua economia se desenvolver. A viver em San Fernando, uma cidade que está a "uma hora de carro" da capital Port of Spain, Cláudio pensou que teria a praia logo ali à mão. Afinal está nas Caraíbas. Mas, na verdade, está a "uma hora e meia de carro da praia e por estradas que não são muito boas".


No que toca à adaptação, o facto de ser madeirense ajudou a adaptar-se à vida numa ilha e diz que as principais diferenças são na alimentação. Uma ida ao supermercado é sempre "uma aventura", os transportes públicos são "escassos" e os táxis "são colectivos". A outra grande diferença que encontrou foi no "preço dos combustíveis, já que o preço de um litro de gasóleo é de 19 cêntimos". Trinidad e Tobago é um país em vias de desenvolvimento, onde há "segurança" e onde as pessoas são muito "afáveis, simpáticas e que fazem muito gosto na presença de estrangeiros". Cláudio diz que depois de ultrapassadas as dificuldades iniciais, que são normais para "quem deixa a sua zona de conforto", sente-se já "adaptado" mas sempre vai dizendo que, no fim de contas, as maiores dificuldades foram o fuso horário e a distância ao nosso país: uma vinda a Portugal obriga a "reservar um dia só para viagens".


Ao microfone da Antena 1, Cláudio Gonçalves diz que os portugueses são muito bons profissionais, "muito bem vistos" lá fora e que, em momentos difíceis como este que o país atravessa, é necessário "sair da zona de conforto" o que é recompensado pelo reconhecimento que se encontra no estrangeiro.


Trinidad e Tobago não é um destino comum da emigração portuguesa mas o Cláudio diz que, apesar disso, os locais não estranharam a sua presença. No passado existiu uma grande vaga de emigração portuguesa para Trinidad e Tobago e é possível encontrar, entre os habitantes locais, muitos "com nomes típicos portugueses como Fernandes" que nunca vieram a Portugal nem sabem falar português, mas vão dizendo, como nos conta o Cláudio, "que o avô era português, foi para lá trabalhar e depois ficou por lá".


Em Novembro de 2012, quando esta conversa foi para o ar na Antena 1, Cláudio estava em Trinidad há sete meses e nessa altura dizia que o balanço era muito positivo e que por isso não havia espaço para arrependimento. O contrato de trabalho diz-lhe que vai ficar por Trinidad até 2015 "que é o tempo de conclusão do projecto", mas o Cláudio fala já do "objectivo de continuar" por Trinidad e, prova disso, é a vontade de levar a mulher para que possam viver esta experiência a dois. A instabilidade no sector da construção não permite fazer grandes planos, mas Cláudio vai dizendo que até agora está "a desfrutar o momento".

 

 

A diferença
O preço dos combustíveis surpreendeu Cláudio. Em Trinidad e Tobago um litro de gasóleo custa 19 cêntimos.

Ver comentários
Outras Notícias