Emprego Desemprego em Portugal gera discussão entre Bruno Maçães e Wall Street Journal no Twitter

Desemprego em Portugal gera discussão entre Bruno Maçães e Wall Street Journal no Twitter

A polémica em torno dos dados do desemprego em Portugal atravessou agora o oceano. O secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães, pediu na sua conta de Twitter a correcção dos números usados pelo Wall Street Journal.
Desemprego em Portugal gera discussão entre Bruno Maçães e Wall Street Journal no Twitter
Miguel Baltazar/Negócios
Liliana Borges 20 de julho de 2015 às 19:53

A discussão sobre os dados do desemprego português atravessou o Atlântico. O jornal norte-americano, Wall Street Journal, publicou na sexta-feira, 17 de Julho, um artigo sobre as consequências do plano de resgaste nos dados de emprego português. No entanto, os valores utilizados para falar do desemprego não agradaram ao secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães, que na sua página do Twitter pediu ao jornal que corrigisse a peça. O jornal respondeu dando lastro a uma polémica que já fez correr muita tinta em Portugal. 

 

A discussão em torno dos números do desemprego voltou à agenda com a entrevista concedida pelo primeiro-ministro à SIC, onde fez um balanço do seu Governo e falou dos números do emprego, que não batem certo com as contas feitas pela oposição. Em causa estão diferentes interpretações e datas utilizadas nos dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística.

Quando o Governo de José Sócrates tomou posse em 2005 a taxa de desemprego era 8,7% (primeiro trimestre de 2005). Quando o PSD e o CDS se tornaram Governo a taxa havia subido para 12,6% (primeiro trimestre de 2011). Os dados são apresentados pelo Eurostat e não ajustados a sazonalidade. E é a eles que o primeiro-ministro recorre, comparando-os aos dados disponíveis do mês de Abril de 2015, onde o desemprego se aproximava dos 12,8%.

Já a repórter do Wall Street Journal correspondente em Lisboa, Patricia Kowsmann, escreve a reportagem com números menos optimistas, apresentando os valores de Maio, ainda a título de estimativa, mas com um resultado menos favorável ao Governo de Passos Coelho, com uma taxa de desemprego a 13%.

O jornal norte-americano descreve no título "Portugal na estrada para a recuperação antes do resgate económico, mas as cicatrizes mantêm-se". O secretário de Estado dos Assuntos Europeus não terá gostado dos dados apresentados pelo jornal e escreveu na sua página pessoal que os níveis de desemprego "estão agora nos mesmos níveis que estavam antes do resgate financeiro", fazendo notar que a peça "ainda não foi corrigida" e argumentando que os números apresentados com base nos valores de Maio são ainda "preliminares".

Para além da autora da reportagem, Bruno Maçães identifica ainda na sua conta do Twitter mais dois repórteres, Stephen Fidler, editor do jornal em Bruxelas, Gabriele Steinhauser, repórter correspondente também em Bruxelas e a ainda a conta oficial do Wall Street Journal, insistindo numa correcção dos valores apresentados, afirmando que isso "ficaria bem ao Wall Street Journal".

 

O secretário de Estado confronta os números apresentados pelo jornal, escolhendo Setembro de 2011, com uma taxa de desemprego a 13,2% e Abril de 2015, já com uma descida para 12,8% e convida a que se "encerre o assunto".

No entanto, Stephen Fidler responde apresentando os números de Maio de 2011 (altura em que Portugal recebeu o primeiro resgate financeiro) aos números de Maio deste ano, 12,3% e 13%, respectivamente e remata também ele com um "caso encerrado".

Pelo meio, Bruno Maçães é convidado a colocar o seu ponto de referência e comparação num período anterior à crise e é confrontado com os números da emigração (procurada como alternativa ao desemprego nacional), que terão contribuído para a diminuição da população activa e consequentemente a uma melhoria na taxa de desemprego.




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