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FMI: Portugal arrisca taxa de desemprego "real" de 18% no final da década

A taxa de desemprego "real", isto é a que conta com desencorajados e part-time involuntário permanece acima de 20% e com o crescimento previsto baixará apenas marginalmente nos próximos anos.

Miguel Baltazar/Negócios
Rui Peres Jorge rpjorge@negocios.pt 30 de Janeiro de 2015 às 15:45
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É um das estimativas mais alarmantes do relatório da primeira avaliação pós-programa do FMI: a rápida descida da taxa de desemprego no último ano (para valores em entre 13% e 14%) não evita que a taxa de desemprego incluindo os que já desistiram de procurar trabalho e os que trabalham menos do que desejariam esteja acima dos 20%. Isto sem contar com os trabalhadores que emigraram. E, pior do que isso, com a perspectiva de crescimento baixo antecipada pelo FMI, este valor baixará apenas ligeiramente até ao final de década.

 

"Uma medida mais abrangente da falta de dinamismo do mercado de trabalho que acrescenta aos trabalhadores desencorajados – que cresceram muito durante a crise – os números oficiais de desemprego e de população activa, e ajusta pelo emprego "part-time" involuntário, está estimada em 20,5% em 2014, comparada com apenas 9,5% antes da crise em 2008", lê-se numa das caixas do relatório, onde se acrescenta que "se poderia argumentar" que para medir esta estagnação do mercado de trabalho também se poderia somar o número de trabalhadores que emigraram após 2011, "pois muitos voltariam a Portugal se tivessem empregos".

 

Os técnicos do FMI continuam para avisar que o cenário é mau e não ficará substancialmente melhor, pelo menos considerando as perspectivas de crescimento económico de longo prazo que assumem: "Um crescimento médio de 1,5% entre 2015 e 2019 reduziria [a taxa de desemprego real] para apenas 18% até 2019", estimam, avisando que "num cenário de crescimento tão baixo este excesso de desemprego será antes resolvido por mais emigração dos trabalhadores ou por atrofia das capacidades dos trabalhadores que estão sem emprego por um longo período de tempo".

 

Perante estes dados, os técnicos do FMI defendem que Portugal deve ambicionar uma estratégia que promova ritmos de crescimento económico e de redução do desemprego mais ambiciosos, para o que necessitará de "acções decisivas para reduzir os dois principais entraves ao crescimento de médio prazo: a baixa competitividade externa e o elevado endividamento empresarial". O relatório é marcado por vários alertas à diminuição do espírito reformista do Governo.

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