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O que está a correr mal no mercado de trabalho em cinco gráficos

Os novos dados do emprego mostram um mercado de trabalho em recuperação. No entanto, nem tudo está a correr bem. Entre a floresta de números é possível detectar alguns focos de preocupação, que o próprio Governo reconhece.

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Reuters
Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 11 de Agosto de 2016 às 14:00
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O Instituto Nacional de Estatística (INE) concluiu que a taxa de desemprego do segundo trimestre caiu para os 10,8%. O valor mais baixo dos últimos cinco anos, quando começou a actual série de emprego. São boas notícias para a economia. Mas é preciso cautela na análise. Por exemplo, o Negócios escreve hoje que a agricultura e as actividades tipicamente turísticas (hotelaria e restauração) deram um contributo decisivo para a criação de emprego entre Abril e Junho. Sectores onde a sazonalidade tem um efeito muito importante. Veja em baixo outros indicadores que mostram como o mercado de trabalho nacional ainda atravessa dificuldades.

Uma bolsa de resistentes no desemprego

 

Embora o número de desempregados tenha caído, existem ainda 195 mil portugueses que estão à procura de emprego há mais de três anos. É verdade que já foram mais – o pico é 214 mil no final de 2014 -, mas a sua diminuição tem sido muito mais lenta e até aumentou nove mil no segundo trimestre.

 

Talvez mais relevante é o peso que este grupo de pessoas tem no desemprego total. No início de 2011 havia 117 mil pessoas à procura de emprego há mais de 36 meses, o que representava "apenas" 17% do total de portugueses sem trabalho. Essa percentagem tem aumentado de forma quase ininterrupta desde essa altura, inclusivamente neste último trimestre, quando saltou de 29% para 35%. Ou seja, mais de um em cada três desempregados procura trabalho há mais de três anos.

 

Este indicador é relevante porque parece indiciar que existe uma bolsa de pessoas que está a ter muitas dificuldades em regressar ao mercado de trabalho. Está estudado que quanto mais tempo se está desempregado menos provável é conseguir arranjar trabalho.

 

Recibos verdes aumentam

O emprego por conta de outrem aumentou entre aqueles que entraram para o quadro das empresas (contrato sem termo), os contratos a prazo e os contratos de prestação de serviços (muitos deles, recibos verdes). No entanto, a variação percentual deste último é mais relevante: aumentou 19,6% face ao trimestre anterior e 12,6% face ao mesmo período de 2015. Embora haja 20 vezes mais contratos sem termo do que de prestação de serviços, a variação trimestral do emprego foi praticamente igual nos dois (mais 23 mil postos de trabalho). Aliás, esse crescimento entre os recibos verdes é o mais elevado em pelo menos cinco anos.

 

O secretário de Estado do Emprego, Miguel Cabrita, admitia ontem esta fonte de preocupação ao Negócios. "Os contratos a termo já são superiores à média [europeia] e estão a crescer", frisou. "Isso é merecedor de atenção."

Por outro lado, importa referir que o peso dos vínculos precários (contratos a prazo e recibos verdes) no total do emprego por conta outrem não se alterou muito nos últimos anos, estando mais ou menos ao mesmo nível do arranque de 2011 (22,6%).


 

Desemprego jovem (ainda) elevado

 

Este inquérito ao emprego trouxe uma diminuição expressiva do desemprego jovem, com uma quebra de 16% face ao trimestre anterior e 9% face ao período homólogo. A taxa de desemprego jovem de 26,9% é a mais baixa desde o início de 2011 (quando começou a actual série do INE).

 

A evolução é boa, mas o número de desempregados ainda é muito elevado. Mesmo com esta descida, Portugal continua a ser o quarto país da Zona Euro com o desemprego jovem mais elevado, apenas atrás de Espanha, Itália e Grécia. A média dos 19 países da Zona Euro é substancialmente inferior: 21%.

 


Um dos fenómenos mais marcantes no mercado de trabalho português nos últimos anos foi o aumento do número de "desencorajados". Isto é, pessoas que não têm trabalho, mas que por vários motivos não procuraram emprego. Entre o início de 2011 e meados de 2013, estes inactivos – que não contam para os números do desemprego – mais que duplicaram, de 143 mil para 304 mil. Para muitos, um 
dos motivos é o facto de o mercado de trabalho estar tão mau, que pode nem valer a pena tentar.

 

Embora hoje haja muito menos desencorajados – são 239 mil – ainda estamos longe de regressar aos valores observados antes da entrada da troika em Portugal, tendo até aumentado face ao trimestre anterior.

 


População activa mais baixa

 

A tendência continua a ser negativa. Desde que começou esta série de emprego do INE (2011), a população activa portuguesa tem estado a diminuir. O último trimestre de 2015 foi o primeiro em que se registou um crescimento homólogo da população activa desde 2011, mas nos últimos dois trimestres regressou a uma trajectória descendente, com quebras de 37 e 39 mil pessoas.

 

Em comparação com o segundo trimestre de 2011 há hoje menos 296 mil portugueses na população activa (-5%). Isto é, mão-de-obra que poderia estar a participar no processo produtivo da economia. Se olharmos apenas para os jovens (15 a 24 anos), a quebra é de 19%. 


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