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Quase metade dos portugueses em part-time gostava de trabalhar mais horas

Portugal tem um dos valores mais elevados da Europa de "part-timers" disponíveis para trabalhar mais tempo. Com 240 mil pessoas consideradas subempregadas, isso representa quase metade dos trabalhadores a tempo parcial.

Bruno Simão/Negócios
Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 19 de Maio de 2016 às 11:08
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Entre os trabalhadores portugueses a tempo parcial, 46,4% gostariam de trabalhar mais horas e estão disponíveis para isso, mas não o conseguem fazer. Segundo os dados publicados na manhã desta quinta-feira, 19 de Maio, pelo Eurostat, este é um dos valores mais elevados da União Europeia e significa que existe uma percentagem significativa da mão-de-obra que está desaproveitada.

Este grupo é designado pelas instituições estatísticas como "subempregados". Entre todos países da União Europeia, apenas na Grécia (71,8%), Chipre (68%) e Espanha (54,2%) eles representam uma percentagem mais elevada dos "part-timers". A média da União Europeia é 22,4%, menos de metade dos 46,4% de portugueses.

Em Portugal, existem 240 mil pessoas nesta situação, o que representa 5,3% da mão-de-obra, um valor que também fica acima da média da União Europeia (4,6%).

"Em 2015, a proporção dos subempregados entre os trabalhadores a tempo parcial variou significativamente entre os estados-membros da UE. A maioria dos part-timers entre os 15 e os 74 anos desejavam trabalhar mais horas e estavam disponíveis para o fazer na Grécia, Chipre e Espanha, seguidos de perto por Portugal", poder ler-se no comunicado do Eurostat. "No lado oposto do espectro, Dinamarca (9,5%), República Checa (9,6%), Estónia (12%), Luxemburgo (13,2%), Holanda (13,4%) e Alemanha (14%) registaram as percentagens mais baixas de subempregados."

Embora tenha uma percentagem alta de subempregados, Portugal está abaixo da média comunitária na proporção de trabalhadores a tempo parcial. Na União Europeia, 20,3% dos trabalhadores estão empregados em part-time, enquanto essa percentagem é de apenas 11,5% em Portugal. Como se concilia isso com a elevada percentagem de subempregados? Os dados parecem indiciar que, ao contrário de outros países, em Portugal, o part-time não é uma escolha do trabalhador, mas sim a única forma de entrarem no mercado de trabalho.


Em Portugal, o subemprego cresceu de forma expressiva entre a primeira metade de 2011 e o mesmo período de 2012, tendo estabilizado a partir daí. Está a aumentar a nos últimos dois trimestres e está actualmente nas 247 mil pessoas. Nos últimos cinco anos, o maior aumento ocorreu entre os jovens dos 15 aos 24 anos: 32%.

"Cerca de oito em cada dez pessoas empregadas na UE trabalham a tempo inteiro e duas em cada dez estão em part-time. Entre estes 44,7 milhões que trabalham a tempo parcial, dez milhões são subempregados […] Isto corresponde a mais de um quinto dos trabalhadores em part-time e a 4,6% do emprego total na UE em 2015. Dois terços destes trabalhadores subempregados eram mulheres."

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