Europa Aliança quase inédita entre sindicatos e patrões alemães pede mais investimento público

Aliança quase inédita entre sindicatos e patrões alemães pede mais investimento público

Os líderes dos sindicatos e da indústria germânica constituíram uma aliança pouco usual para pressionarem o governo alemão a aumentar os níveis de investimento público, sobretudo na área das infraestruturas. Governo rejeita necessidade e mantém-se fiel à política de orçamentos equilibrados.
Aliança quase inédita entre sindicatos e patrões alemães pede mais investimento público
Reuters

Ver sindicatos e patrões juntos a fazer a mesma reivindicação não é normal em Portugal, nem na Alemanha. Mas é precisamente isso que está a acontecer, com sindicatos e patrões germânicos numa aliança informal para pressionarem o governo federal a reforçar a despesa pública para apoiar uma economia ameaçada pela estagnação.

Pelo seu lado, apesar de ter chegado a demonstrar abertura a deixar de lado a política de orçamentos equilibrados para evitar uma recessão, o governo liderado por Angela Merkel mantém-se fiel à política de défices zero e garante não haver qualquer necessidade de avançar com estímulos robustos ao crescimento económico. 

Um estudo encomendado pela confederação dos sindicatos alemã, a DGB, e pela federação das indústrias, a BDI, conclui que 500 mil milhões de dólares (462 mil milhões de euros) é o montante necessário para a maior economia europeia se tornar mais competitiva e aumentar o potencial de crescimento.

As instituições respetivamente lideradas por Reiner Hoffmann e Dieter Kempf defenderam, esta segunda-feira, ser este o montante necessário de investimento público no setor digital e nas infraestruturas, sobretudo de transportes. O orçamento federal previsto para 2020 contempla 43 mil milhões de euros de investimento.

Um dos atuais setores em que a Alemanha está a ficar para trás face aos pares europeus prende-se com o atraso na digitalização da economia, em particular, segundo refere a Comissão Europeia, nos serviços digitais públicos. Após vários anos de consolidação das contas públicas, sindicatos e patrões pedem ao governo federal que se endivide para promover o crescimento.  

Berlim resiste à pressão
Depois de ter encolhido 0,1% no segundo trimestre, a economia alemã evitou por pouco a entrada em recessão no terceiro trimestre com um crescimento de 0,1% até Setembro. Contudo, apesar da expansão surpreendente, o Bundesbank (banco central alemão) estimou, esta segunda-feira, que o PIB germânico estagne nos últimos três meses do ano dado não se identificarem sinais consistentes de recuperação económica. 

Na passada sexta-feira, o ministro alemão das Finanças, Olaf Scholz, pôs de parte que a Alemanha tenha de abandonar os orçamentos equilibrados, hipótese apenas colocada como possível num contexto de recessão, o que não se verifica, defendeu o também candidato à liderança do SPD. Na mesma linha, o principal responsável pela área orçamental da CDU (partido da chanceler Angela Merkel), Eckhardt Rehberg, frisou que a Alemanha "não tem nenhum problema de financiamento" e não precisa endividar-se para financiar os projetos considerados prioritários.

No verão, quando se avolumava a pressão para uma inflexão da política orçamental alemã, Olaf Scholz chegou a admitir um aumento de 50 mil milhões de euros nos níveis de despesa para evitar uma crise, porém sublinhando que um reforço do investimento público não significaria o fim da política de défices zero.

O aumento da despesa da parte do Governo germânico tem sido avançado como um dos remédios mais eficazes para as ameaças de recessão que têm assombrado o bloco europeu. Na semana passada, os números da economia alemã mostraram um crescimento ligeiro de 0,1%, o suficiente para evitar uma recessão técnica (que se verificaria se, tal como no segundo, também no terceiro trimestre houvesse uma contração em cadeia).

Já na altura da divulgação dos números do segundo trimestre, que mostraram uma contração da economia alemã, a BDI havia apelado a Angela Merkel que aumentasse a despesa, não necessariamente para promover a convergência no seio da Zona Euro, mas para conter os efeitos que a disputa comercial entre os Estados Unidos e a China tem implicado para a economia germânica.




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