Europa Apesar do acordo UE-Turquia migrantes continuam a chegar à Grécia

Apesar do acordo UE-Turquia migrantes continuam a chegar à Grécia

Apesar da entrada em vigor do acordo UE-Turquia e mesmo sob a ameaça de reenvio para solo turco, quase um milhar de migrantes atravessou o Mar Egeu em direcção às ilhas gregas. A Grécia sente dificuldades para colocar em prática o acordo.
Apesar do acordo UE-Turquia migrantes continuam a chegar à Grécia
Reuters
David Santiago 21 de março de 2016 às 12:08

Continuam a chegar à costa das ilhas gregas centenas de migrantes e requerentes de asilo, isto apesar da entrada em vigor do acordo União Europeia (UE)-Turquia, no passado domingo. Segundo as contas das autoridades helénicas, entre a madrugada de sábado e a manhã de domingo chegaram à Grécia 875 migrantes, período ao longo do qual as autoridades turcas conseguiram travar a travessia do Mar Egeu por parte de cerca de três mil requerentes de asilo.

 

O que significa que não cessou o fluxo de migrantes que pretende chegar a território comunitário, isto apesar de o acordo que os líderes europeus e a Turquia assinaram na passada sexta-feira, prever o reenvio para a Turquia da generalidade dos requerentes de asilo que, vindos de solo turco, cheguem à Grécia. E apesar do reforço da vigilância e patrulha no Mar Egeu, os responsáveis da Grécia garantem que nas primeiras 12 horas do acordo morreram quatro pessoas durante a travessia, duas delas crianças.

 

E apesar do anúncio de que o "acordo está em vigor" feito no domingo pelo porta-voz do Governo grego, George Kyritsis, que garantiu que "as autoridades gregas estão a fazer tudo o possível", já esta segunda-feira, 21 de Março, outro responsável helénico afiançou que Atenas precisará de apoio técnico para colocar em práticas os termos do acordo.

 

Os migrantes "serão reenviados depois de passarem rapidamente pelos procedimentos de identificação. É por isso que precisamos de assistência técnica", reconheceu Yiannis Balafas, vice-ministro grego do Interior, que assim assume a incapacidade das autoridades gregas para, isoladamente, cumprirem o acordo UE-Turquia que prevê o reenvio à Turquia dos novos migrantes que cheguem às ilhas gregas. E, em troca, por cada migrante que vá para a Turquia, Bruxelas comprometeu-se a distribuir pelos Estados-membros os refugiados ainda nos campos de acolhimento turcos, num processo custeado por Bruxelas.

 

Segundo o EUObserver, a Comissão Europeia estima que Atenas necessite de cerca de 4 mil pessoas, incluindo responsáveis pela migração e tradutores, para cumprir o acordo, sendo que mil devem pertencer ao exército e, ou, forças de segurança. Em causa está a capacidade da Grécia para responder a este desafio, estando pressionada pelos quase 50 mil requerentes de asilo que estarão ainda em solo grego, entre os quais 12 mil que continuam "presos" junto à fronteira norte da Grécia com a Macedónia, país que fechou a fronteira com aquele país, concretizando assim o encerramento da Rota dos Balcãs.

 

Depois das acusações de que não estaria a cumprir as medidas acordadas para a gestão de refugiados, o que levou à ameaça de expulsão da Grécia do espaço Schengen, Atenas está agora no centro das atenções uma vez que é palco e personagem principal neste acordo assinado com Ancara. Além de ser a porta de entrada preferencial dos migrantes provenientes do Médio Oriente e África que pretendem chegar ao norte europeu, nomeadamente a países como a Alemanha e Suécia, a Grécia é, à frente da Itália, o país da UE mais sobrecarregado pelo problema dos refugiados, isto numa altura em que Atenas está a implementar um programa de assistência financeira cuja primeira avaliação não foi sequer garantida.

 

Contudo, a Grécia espera receber o apoio de mais de dois mil especialistas para apoiarem no processo de identificação e triagem dos requerentes de asilo, mas até ao momento ainda ninguém terá chegado ao país. Quem continua a chegar são os migrantes que apesar da possibilidade de serem reenviados para a Turquia continuam a arriscar a travessia do Mar Egeu.

 

Subsistem dificuldades várias à implementação do compromisso finalmente oficializado na última sexta-feira, havendo dúvidas sobre como serão reenviados os migrantes para a Turquia e o que poderá acontecer aos milhares de requerentes de asilo que já se encontram na Grécia. O dia 4 de Abril foi a data escolhida para se dar início ao processo. 

Comissão Europeia tenta acelerar processo

Perante as dificuldades sentidas, a Comissão Europeia divulgou esta segunda-feira uma medida que visa dar um contributo imediato para a implementação do acordo UE-Turquia. Num comunicado revelado esta manhã, a Comissão anunciou que irá disponibilizar 54 mil vagas inicialmente previstas para a distribuição por quotas dos refugiados na reinstalação de migrantes sírios instalados na Turquia.

Com esta proposta, a Comissão Europeia pretende reforçar a capacidade de acolhimento europeia de forma a acelerar a distribuição dos migrantes ainda na Turquia, assim garantindo maior celeridade ao processo de devolução dos migrantes que pelos vistos continuam a chegar em massa à Grécia.




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