Europa Após Sánchez falhar segunda tentativa de investidura, PP e Podemos vão ligar-lhe

Após Sánchez falhar segunda tentativa de investidura, PP e Podemos vão ligar-lhe

Perante a forte possibilidade de Pedro Sánchez também não conseguir ser investido primeiro-ministro na segunda votação, que decorrerá esta sexta-feira, PP e Podemos vão tentar encetar novas negociações com o PSOE.
Após Sánchez falhar segunda tentativa de investidura, PP e Podemos vão ligar-lhe
Reuters
David Santiago 03 de março de 2016 às 14:11

A investidura de Pedro Sánchez, secretário-geral do PSOE, como primeiro-ministro foi rejeitada esta quarta-feira pelo Congresso espanhol (equivalente à Assembleia da República). O líder do socialista terá agora uma segunda oportunidade, já esta sexta-feira, mas também não deverá conseguir assegurar a possibilidade de chefiar o próximo Governo de Espanha.

 

Com esta realidade presente, assim que esteja confirmada nova recusa do Congresso à investidura de Pedro Sánchez, tanto o PP como o Podemos irão tentar reiniciar conversações para a formação de Governo com o líder socialista.

 

Do lado popular, será o próprio Mariano Rajoy, presidente do PP e primeiro-ministro ainda em funções, a entrar em contacto com Sánchez, previsivelmente logo na próxima segunda-feira. E se do lado do Podemos não se sabe ainda quem entrará em contacto com o líder socialista, um dirigente daquele partido de extrema-esquerda já assegurou que Sánchez poderá mesmo receber um telefonema logo no sábado.

 

Tendo em conta que só poderão ser convocadas novas eleições gerais decorridos 60 dias sem que tenha sido encontrada uma solução de Governo, período que começou a contar esta quarta-feira, haverá agora dois meses de pura arena política, com novo acto eleitoral no horizonte. E embora não se afigure provável que as negociações possam ser bem-sucedidas, cada um dos partidos irá insistir na sua estratégia.

 

O PP tentará que PSOE e Cidadãos aceitem integrar uma "grande aliança" dos partidos moderados. Já o Podemos e outros partidos da esquerda pretendem que os socialistas aceitem integrar um "Governo progressista. Alberto Gárzon, porta-voz da Esquerda Unida, disse esta quinta-feira, 3 de Março, que também ele tentará que o PSOE regresse à mesa de negociações a quatro, que incluem ainda o Podemos e o Compromís.

 

Claro está que para a negociação à esquerda ser bem-sucedida, Pedro Sánchez teria de deixar cair em saco roto o "acordo de legislatura" assinado com o Cidadãos e que foi ontem reprovado pelo Congresso. Foi este acordo que levou o Podemos a abandonar as negociações a quatro e que também não recolheu apoios parlamentares para além do conferido pelos deputados do PSOE e do Cidadãos (90+30).

 

Nem os nacionalistas bascos nem a Esquerda Unida ficaram do lado de Sánchez, optando pela rejeição que tinha sido prontamente anunciada por Pablo Iglesias, secretário-geral do Podemos. Contudo, um acordo entre PSOE e Podemos tornou-se ainda mais difícil depois do dia de ontem, em que Igleisas foi muito duro com Sánchez e com o PSOE, chamando miserável" ao líder socialista e criticando os tempos em que os socialistas eram liderados por Felipe González, o que provocou um clima ainda mais acintoso entre a bancada dos dois partidos. O que acabou por provocar uma reprimenda de Patxi López, presidente do Congresso.

Mas também a formação da aliança proposta por Mariano Rajoy se afigura altamente improvável. Não só porque Sánchez mantém a recusa a qualquer tipo de negociação com o PP, mas também porque Albert Rivera, líder do Cidadãos, surge cada vez mais incompatibilizado com Rajoy.

 

Depois de no debate de ontem Rivera ter pedido aos deputados populares que se rebelassem contra Rajoy, abstendo-se e assim viabilizando a investidura de Sánchez como primeiro-ministro, e de defender que "o futuro de Espanha não pode depender de um candidato que disse não ao rei", o líder do Cidadãos disse, já esta manhã, que o presidente do PP "rompeu todas as pontes" quando, na semana passada, rejeitou negociar um apoio ao acordo PSOE-Cidadãos.

 

Sem novidade, permanecem todas as possibilidades em jogo. Sendo que a mais provável é a realização de novas eleições gerais no dia 26 de Junho. Para já será tempo de manobras políticas. E de campanha antecipada.




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