Europa Banco de Espanha alerta para "risco" de controlo de capitais na Catalunha

Banco de Espanha alerta para "risco" de controlo de capitais na Catalunha

Para Luis María Linde, há o "risco" de ser aplicada uma espécie de controlo de capitais na Catalunha se a região autonómica concretizar um processo de secessão face ao reino de Espanha. O presidente da Catalunha já veio criticar estas declarações.
Banco de Espanha alerta para "risco" de controlo de capitais na Catalunha
Bloomberg
David Santiago 21 de setembro de 2015 às 14:11

Luis María Linde, governador do banco central espanhol, considera haver um "risco" de ter de ser imposta uma espécie de controlo de capitais na Catalunha, caso esta região autonómica espanhola concretize uma eventual cisão face ao reino de Espanha. No entender do banqueiro central, a Catalunha poderia passar por algo parecido com aquilo que aconteceu na Grécia há cerca de três meses e que também já foi experimentado por alguns países da América Latina.

 

"É um risco que existe", alertou Linde, citado pelo Expansión, em declarações proferidas durante um pequeno-almoço organizado pelo Europa Press. A declaração de Linde acontece a apenas uma semana das eleições autonómicas catalãs antecipadas para 27 de Setembro e que funcionarão também como uma espécie de referendo à independência daquela região.

 

Em plena campanha eleitoral na região da Catalunha, o governador do banco central de Espanha seguiu o exemplo de alguns governantes, dramatizando as consequências associadas à eventual cisão da Catalunha face a Madrid. "O território [catalão] deixaria de ter acesso às facilidade de crédito asseguradas pelo Banco Central Europeu (BCE)", avisou Linde que acrescenta que a saída da moeda única por parte da Catalunha seria "automática".

 

O governador Luis María Linde mostrou-se ainda de acordo com as conclusões de um comunicado divulgado pela Associação de Bancos Espanhóis (AEB, na sigla espanhola). A AEB avisou que o processo soberanista catalão constitui um conjunto de "incertezas e tensões" que podem penalizar a banca com presença naquele território. "É um comunicado que diz "coisas sensatas e óbvias", afirma Linde. Já quanto à viabilidade da Catalunha enquanto Estado independente, Linde reconheceu que aquela região poderia perfeitamente existir como país autónomo até porque "existem países mais pequenos".

 

Quem não reagiu bem a estas declarações foi Artur Mas, presidente do governo autonómico da Catalunha (Generalitat) e líder da Convergência Democrática da Catalunha (CDC), federação de dois partidos soberanistas. "É irresponsável e indecente ameaçar com coisas que ninguém, num país democrático, se atreveria insinuar. Fazem-no porque não mais nenhum argumento", atirou Mas.

 

Apesar das críticas de Mas, em 2013 a Generalitat, segundo aponta o El País, já alertava para a possibilidade de ter de ser decretado controlo de capitais em caso de secessão face ao reino de Espanha.

 

A 3 de Agosto último, já depois de falhadas as tentativas para realizar um referendo popular vinculativo sobre a independência da Catalunha (houve apenas uma consulta popular de carácter não vinculativo), Artur Mas oficializou a convocatória de eleições autonómicas que apesar de não fazerem referência à eleição-plebiscitária, servirão de plebiscito à independência da região.

 

Se a aliança Juntos pelo Sim (força que integra a CDC de Mas e a Esquerda Republicana da Catalunha do soberanista radical Oriol Junqueras) vencer as eleições do próximo domingo com maioria absoluta, o novo Governo autonómico tentará aprovar uma Declaração Unilateral de Independência, encetando assim um processo soberanista que poderia mesmo culminar com a secessão da Catalunha face a Madrid. 




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