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Barroso avisou Coelho sobre limites das medidas e criticou o manifesto 74

O presidente da Comissão Europeia disse em entrevista à SIC/Expresso que avisou Passos Coelho de que é preciso considerar os limites políticos e sociais das medidas tomadas e criticou o manifesto que defende a reestruturação da dívida.

Negócios 29 de Março de 2014 às 12:16
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“É preciso ter cuidado com as mensagens que saem de Portugal. Eu acredito na boa-fé das pessoas que subscreveram aquele manifesto, mas há um erro: é falar em reestruturação”, disse Durão Barroso na entrevista publicada este sábado, 29 de Março, pelo Expresso e transmitida na sexta-feira pela SIC, acrescentando que o documento também serviu para "embaraçar o Governo".

 

“Eu acho que houve, nitidamente, algumas personalidades com o objectivo de embaraçar o Governo, num jogo político, mas eu não quero entrar na luta política”, afirmou.

 

Para o presidente da Comissão Europeia, o manifesto sobre a reestruturação não o surpreendeu “totalmente”, porque, afirmou, a crise está a ter um impacto “enorme na chamada classe média, mas referiu-se aos nomes de Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix.

 

“A meu ver, quer Manuela Ferreira Leite, quer Bagão Félix representam uma certa classe média ou média-alta — pessoas que até têm uma vida relativamente confortável —, mas que foram atingidas por esta situação. Dito isto, acho que muitas dessas pessoas estão de perfeita boa-fé, portanto não critico as pessoas que tomaram essa iniciativa”, disse Durão Barroso.

 

O presidente da Comissão Europeia acrescentou que a Europa não ficou abalada pelo manifesto e que os juros até baixaram graças à reacção muito clara das autoridades portuguesas, que se afastaram completamente “da teoria”, mas, sublinhou Barroso, “houve algum nervosismo inicial dos mercados”.

 

Sobre o impacto da crise na sociedade portuguesa, Durão Barroso sublinhou que o desemprego tocou as classes mais favorecidas e nas mais desfavorecidas e que actualmente há “licenciados e até pessoas com mestrados, ou mais” que não encontram emprego.

 

“É isso que dá à crise um cariz muito diferente de crises que já houveram no passado. Desta vez foi uma crise com muitíssimo maior impacto e, obviamente, isso reflete-se na indignação da opinião pública. Esta é uma análise muito séria que faço, porque explica, por exemplo, a manifestação contra a Taxa Social Única (TSU), uma medida que, aliás, nós nunca propusemos. A TSU gerou em Portugal uma revolta espontânea porque tocou ideias de equilíbrio e de justiça em toda a sociedade e isso deve ser considerado. Eu próprio já disse várias vezes ao primeiro-ministro que há limites para uma certa política, que temos de considerar os limites políticos e sociais das medidas tomadas”, declarou Durão Barroso.

 

Mesmo assim, e quando questionado sobre se esses limites não estão a ser permanentemente ultrapassados, Durão Barroso respondeu que foi “correcto não fazer um ajustamento demasiado gradual”.

 

“Eu já me tenho posto essa questão. Claro que podemos sempre discutir se o ajustamento foi feito ao ritmo adequado (...). Estou convencido de que, se não tivéssemos feito o adiantamento das medidas de correcção orçamental e estrutural não tínhamos recuperado a confiança. Foi mais doloroso a curto prazo, mas foi correcto não fazer um ajustamento demasiadamente gradual. Não se esqueça de que Portugal não tinha acesso aos mercados”, afirmou o presidente da Comissão Europeia.

 

Durão Barroso, que termina o mandato à frente da Comissão Europeia em Outubro, disse na mesma entrevista que não tem intenção em candidatar-se às eleições presidenciais e que o futuro Governo de Portugal, após as legislativas de 2015, vai ter de contar com um amplo consenso.

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