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Bases do Podemos rejeitam pacto PSOE-Cidadãos e apoiam Governo das esquerdas

Mais de 88% dos militantes do Podemos disseram "não" à possibilidade de o partido liderado por Pablo Iglesias apoiar o pacto assinado entre o PSOE e o Cidadãos. Por outro lado, quase 92% das bases do partido apoiam um Governo das esquerdas.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 18 de Abril de 2016 às 14:26
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Era o resultado pretendido pelo secretário-geral, Pablo Iglesias, e pela restante direcção do Podemos, e era também o desfecho aguardado por todos. E as bases do partido não "desiludiram". No referendo interno realizado no passado fim-de-semana, a grande maioria dos militantes do Podemos rejeitou apoiar um Governo entre PSOE e Cidadãos.

 

88,23% dos quase 38% de militantes do Podemos que participaram no referendo deste fim-de-semana disseram "não" ao "acordo de legislatura" PSOE-Cidadãos. E 91,79% disseram "sim" a um Governo das esquerdas entre PSOE e Podemos e que inclua também a Esquerda Unida (IU, partido pró-comunista). Estes resultados foram anunciados esta segunda-feira, 18 de Abril, em Saragoça, por Pablo Echenique, secretário do Podemos.

 

Não foi um resultado surpreendente, tratando-se apenas da confirmação daquilo que já se esperava depois da forma como decorreu a primeira, e única, reunião a três entre PSOE, Podemos e Cidadãos, corolário este que deixa Espanha cada vez mais próxima da realização de novas eleições gerais, em princípio a 26 de Junho próximo.

 

Na segunda-feira da próxima semana o rei de Espanha, Felipe VI, inicia uma nova ronda – a terceira desde as eleições gerais de 20 de Dezembro - de auscultação aos partidos com assento parlamentar. E gorada a possibilidade de o Podemos apoiar o pacto formalizado entre os líderes do PSOE e do Cidadãos, Pedro Sánchez e Albert Rivera, respectivamente, sobram poucas alternativas.

 

O Cidadãos espera que ainda seja possível negociar com o PP, embora o partido de Rivera tema que tal hipótese possa servir somente para deixar ainda mais notórias as diferenças entre os três partidos. Todavia, o porta-voz do Cidadãos, José Manuel Villegas, defende este "último esforço" como última alternativa para evitar novas eleições.

 

Já o PP, presidido pelo ainda primeiro-ministro em funções, Mariano Rajoy, continua à espera que os socialistas mostrem disponibilidade (e dêem o primeiro passo tendo em vista o início de conversações) para negociar um Governo das forças moderadas: PP, PSOE e Cidadãos. Rajoy defende que a melhor solução para Espanha passa por um acordo entre os partidos que têm mais a uni-los do que a separá-los, e está dispostos a oferecer a vice-presidência do Executivo a Sánchez.

 

Contudo, o PSOE rejeita liminarmente encetar negociações com os populares, com Pedro Sánchez a manter que qualquer hipotética solução governativa terá de assentar no pacto firmado com o Cidadãos. Pacto este agora definitivamente rejeitado pelo Podemos.

 

Mas o secretário deste partido, Pablo Echenique, disse esta manhã que o Podemos continua de "mão estendida" e "disposto a negociar um Governo de mudança" com o PSOE. Também esta manhã, o Podemos desafiou mesmo o PSOE a fazer como o Podemos e a promover um referendo interno sobre a proposta de Executivo apresentada pelo partido de Iglesias.

 

Nesta altura e apesar da nova ronda de conversas agendada pelo rei Felipe VI, não há quaisquer conversações em curso, com os diferentes partidos a tentarem tudo para sair o mais ilesos possível deste processo com vista às cada vez mais certas eleições gerais no Verão.

 

Perante este cenário, Patxi López, presidente do Congresso (equivalente à Assembleia da República), lamentou esta segunda-feira que os partidos não só não cheguem a acordo como nem sequer se predisponham a voltar à mesa de negociações. No entender de Patxi López, os partidos e os seus líderes "não estão a entender" a mensagem enviada pelo eleitorado espanhol, que em Dezembro votou pelo Congresso mais polarizado da história democrática espanhola.

 

Se até ao final do próximo dia 2 de Maio não tiver sido investido nenhum primeiro-ministro, Felipe VI procede à dissolução das cortes e consequente agendamento de novas eleições parlamentares.  

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