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BCE: Juros podem disparar novamente e obrigar Espanha a pedir ajuda

A taxa de juro implícita das obrigações espanholas a dez anos superou os 6% e levantou, novamente, os alarmes em relação ao país. O governador do banco central da Bélgica e membro do conselho do BCE acredita que este desempenho no mercado de dívida acabará por obrigar Espanha a solicitar um resgate.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 18 de Setembro de 2012 às 08:52
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Espanha resiste a pedir ajuda externa. Os mercados reparam nisso. As taxas de juro associadas à dívida espanhola sobem. O prémio de risco face à dívida alemã alarga-se. Espanha é obrigada a pedir um resgate. Este é um cenário assinalado pelo membro do conselho do Banco Central Europeu, Luc Coene.

“[Se] os mercados virem que Espanha não vai [pedir ajuda externa], não vai durar muito até que os prémios de risco [face à dívida alemã] voltem a subir e, então, Espanha vai ser, de alguma forma, obrigada a recuar na sua decisão e submeter-se a este programa”, disse o também governador do banco central belga, num painel de discussão, citado pela agência Bloomberg.

Mario Draghi anunciou o programa de compras de obrigações de países da Zona Euro, com o intuito de reduzir as rendibilidades exigidas pelos investidores quando negoceiam dívida de economias em dificuldades. Para que as obrigações sejam compradas, os países têm de se submeter a uma série de condições, avisou logo Draghi, numa medida que foi entendida como dirigida, especialmente, a Espanha e Itália.

“Caso Espanha não se submeta a essas condições, nós não vão vamos comprar as suas obrigações”, acrescentou Coene, segundo a Reuters. Os mercados têm voltado a colocar alguma pressão sobre a dívida espanhola, depois do forte alívio trazido por Draghi. A taxa de juro implícita à dívida espanhola a dez anos superou novamente os 6%, algo que não acontecia desde o anúncio do governador do Banco Central Europeu. Coene acredita, então, que os mercados poderão acabar por obrigar o pedido de resgate.

BCE pode cortar taxar de juro

No mesmo painel de discussão, o governador do banco central da Bélgica avançou com várias possibilidades monetárias para trazer mais alguma flexibilidade para a Zona Euro, que vive a crise da dívida há vários anos.

São hipóteses o corte da taxa de juro de referência da Zona Euro (actualmente em 0,75%) ou a redução da taxa associada aos depósitos para terreno negativo (encontra-se em zero, não oferecendo já qualquer remuneração), referiu Coene, um dos 23 membros do conselho do BCE.

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