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Berlusconi aperta o cerco a Monti

Partido do antigo primeiro-ministro retirou o seu apoio ao Governo de Mário Monti. Ainda assim, este conseguiu sobreviver hoje a mais um voto de confiança. Por quanto tempo?

Alessandro Bianchi/Reuters
Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 06 de Dezembro de 2012 às 12:56
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Os representantes do PLD, partido de Silvio Berlusconi, retiraram-se hoje do Senado, antes da votação de mais um voto de confiança suscitado pelo primeiro-ministro Mário Monti para conseguir fazer aprovar o pacote de medidas económicas previsto para 2013.

A iniciativa vale sobretudo pelo seu simbolismo, na medida em que abstenção dos membros do Partido da Liberdade – um dos três que apoiam o governo transitório do antigo comissário europeu – não impediu a aprovação do pacote em causa. Se tivessem votado contra, o Governo de Monti teria caído.

A causa mais próxima do afastamento do PLD do Governo Monti prende-se com o decreto, que será hoje discutido e votado em Conselho de Ministros, que incapacita para o desempenho de cargos públicos quem tenha sido condenado em definitivo pela justiça por crimes onde se tenha provado dolo deliberado.

Mas por detrás desta retirada estará a eventualidade de Sílvio Berlusconi voltar a concorrer a um quinto mandato como primeiro-ministro nas eleições que deverão ter lugar em Março do próximo ano.

Dando o dito pelo não dito, Berlusconi disse ontem tinha recebido “solicitações” para se recandidatar, sinalizando que estava a ponderar essa possibilidade.Num comunicado divulgado após uma longa reunião com líderes do seu partido, Berlusconi afirma que "a situação hoje é muito pior do que há um ano, quando deixei o governo por sentido de responsabilidade e amor para com o meu país". Escreve o antigo primeiro-ministro, mega-empresário, com vários casos pendentes na justiça,  que “Itália está à beira de um abismo”, com a economia “esgotada, mais de 1 milhão estão desempregados, poder de compra a cair, e pressão fiscal em níveis intoleráveis”. Conclusão: “não posso deixar o meu país cair numa espiral recessiva sem fim. Não é possível continuar assim”.

O regresso de Berlusconi não parece, no entanto, ser um desfecho sequer consensual entre os seus correligionários e vários comentadores relacionam a possibilidade de a “cartada” Berlusconi ser uma manobra para tentar contrariar o afundamento do próprio partido. Segundo um inquérito de opinião publicado nesta semana, as intenções de voto no PDL resumem-se a 15,2%. O grande vencedor das eleições de Março seria o Partido Democrático, com 34,6% dos votos.

Berlusconi renunciou à chefia do Governo em 2011, tendo a gota de água sido a um escândalo sexual envolvendo uma prostituta menor de idade. O Presidente Giorgio Napolitano pediu então ao ex-comissário europeu Mário Monti para formar um governo de tecnocratas, com o apoio de uma coligação de três partidos, de direita e esquerda, onde se inclui o PDL.

Com Itália à beira de ser excluída dos mercados financeiros, que exigiam juros cada vez mais altos, e sem “rede” europeia capaz de socorrer à terceira maior economia do euro, Monti impôs várias medidas de austeridade para trazer os custos dos empréstimos sob controle. Mas os impostos mais elevados terão ajudado a aprofundar a recessão que se instalara no segundo semestre do ano passado. O ex-comissário e senador vitalício tem repetido que não se candidatará, mas que estará disponível para continuar a liderar o Governo italiano caso o resultado eleitoral não permita uma solução governativa minimamente estável.

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