17 de outubro de 2019 às 18:33
António Costa: “É a altura do Parlamento britânico fazer a sua parte”
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António Costa congratulou-se hoje com o acordo alcançado com o Reino Unido para um Brexit ordeiro, apelando ao Parlamento britânico que desta vez dê luz verde ao entendimento.

"Creio que desta vez é a altura do Parlamento britânico fazer a sua parte, ou seja aprovar o acordo", disse António Costa em Bruxelas depois dos líderes da União Europeia terem aprovado o acordo que tinha sido anunciado esta manhã.

O primeiro-ministro lembrou que nos últimos quatro anos a UE negociou um acordo com o primeiro-ministro Cameron (para convencer os britânicos a votarem contra o Brexit); um acordo de saída com Theresa May; um acordo complementar com Theresa May e agora este acordo com Boris Jonhnson.

"Chegou o tempo de por um ponto final positivo nesta negociação", para depois "tratar do mais importante, que é a relação futura entre a UE e o Reino unido" para "rapidamente se concentrar no futuro".

Lembrando que "nunca foi a UE que chumbou qualquer acordo", Costa recusou discutir cenários se o Parlamento Britânico chumbar o acordo. "Não devemos precipitar os acontecimentos. Hoje foi um dia positivo porque se chegou a acordo", afirmou.

Costa revelou que teve oportunidade de dizer hoje a Jeremy Corbyn (líder dos trabalhistas) que "há um momento em que todos temos de ser capazes de pôr aquilo que é o interesse da Europa e o interesse geral acima das conveniências partidárias de cada um".

"Hoje, na reunião do S&D (Socialistas e Democratas), tive oportunidade de dizer ao líder do ‘Labour’, Jeremy Corbyn, que obviamente cada um de nós tem as contingências políticas internas próprias em cada um dos nossos países". Segundo Costa, "é obviamente legitimo que o ‘Labour’ deseje eleições antecipadas", mas também defendeu que "é preciso compreender que chegou o momento em que o interesse geral da Europa, do Reino Unido, dos cidadãos da Europa residentes no Reino Unido, dos britânicos residentes na Europa, naquilo que é o funcionamento normal da economia europeia e da economia britânica, não podem ser interesses sacrificados à vontade política de haver eleições".

"Não podemos ser todos capturados como reféns de questões de política interna do Reino Unido", reforçou Costa. 
Depois de um "esforço paciente, continuado, persistente e muito boa vontade da UE, para ultrapassar as sucessivas rejeições", uma saída do Reino Unido sem acordo a 31 de outubro seria "uma tragédia".