Europa Bruxelas mais pessimista que Centeno: PIB trava mais em 2019

Bruxelas mais pessimista que Centeno: PIB trava mais em 2019

A Comissão Europeia não está tão confiante como o Governo sobre a evolução da economia no próximo ano. A diferença entre as previsões é de quatro décimas.
Tiago Varzim 08 de novembro de 2018 às 10:01
As previsões da Comissão Europeia para a economia portuguesa afastam-se cada vez mais das do Governo. Nas previsões de Outono, divulgadas esta quinta-feira, 8 de Novembro, Bruxelas prevê que o PIB cresça 1,8% no próximo ano, abaixo dos 2% estimados no Verão. O Executivo construiu o Orçamento do Estado para 2019 com o PIB a crescer 2,2%.

Comecemos por 2018. Para o ano corrente, a previsão do Governo e da Comissão Europeia não diferem de forma significativa: 2,3% e 2,2%, respectivamente. Portugal deverá assim crescer acima da média da Zona Euro cuja previsão manteve-se nos 2,1%. 

A divergência é visível no próximo ano. O Governo vê uma ligeira desaceleração para 2,2% e ancorou essa previsão na aceleração do investimento de uma subida de 5,2% em 2018 para 7% em 2019. Desta forma, Portugal cresceria acima da média da Zona Euro de 1,9% previsto pela Comissão, uma revisão em baixa face os 2% da Primavera.

Contudo, as previsões de Bruxelas vão noutro sentido. A Comissão Europeia prevê que Portugal cresça apenas 1,8%, abaixo da média europeia. Tal deve-se à desaceleração da economia europeia - o que provocará uma desaceleração das exportações e do consumo -, mas também a uma previsão diferente para o investimento. Bruxelas prevê uma aceleração, mas curta: de 4,4% para 4,7%. 
Os sinais de que a economia europeia está a perder gás fizeram sentir já no terceiro trimestre deste ano. O PIB da Zona Euro cresceu 1,7%, em termos homólogos, o que representa uma travagem significativa. Já a economia italiana estagnou face ao trimestre anterior, tendo crescido 0,8% em termos homólogos. 

No relatório publicado hoje, a Comissão Europeia considera que o crescimento económico continua, mas com uma "dinâmica mais face devido à elevada incerteza". Bruxelas admite que existe "um nível elevado de incerteza à volta das previsões". 

Um dos elementos de incerteza é o processo do Brexit, que não está contabilizado nestas previsões. Junta-se o perigo de sobreaquecimento da economia nos Estados Unidos e os possíveis efeitos disso nos mercados, principalmente os emergentes. E mantém-se a guerra comercial com a China, uma situação em aberto. 

Dentro da União Europeia, a Comissão mostra-se preocupada com a resiliência das economias. "As dúvidas sobre a qualidade e a sustentabilidade das finanças públicas em Estados-membros altamente endividados pode propagar-se aos sectores bancários domésticos, aumentar as preocupações com a estabilidade financeira e pressionar a actividade económica", lê-se no documento. 

"A incerteza e os riscos, tanto externos como internos, estão a aumentar e começam a ter impacto no ritmo da actividade económica", admite o vice-presidente da Comissão Europeia para o euro, Valdis Dombrovskis, avisando que é preciso manter a vigilância e trabalhar para reforçar a resiliência das economias.



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