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Centeno rebate críticas à demora da UE em responder à crise

Pouco antes do início do segundo encontro do Eurogrupo no espaço de uma semana difícil para Centeno dentro de portas, o ministro rejeita as críticas de quem acusa a UE de "arrastar os pés" na resposta à crise e puxa dos galões por aquilo que foi já feito.

EPA
David Santiago dsantiago@negocios.pt 15 de Maio de 2020 às 13:43
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Mário Centeno não aceita as críticas que vêm sendo dirigidas à União Europeia pela demora em concretizar um acordo para responder ao choque económico e defende que o trabalho feito pelo Eurogrupo mostra como "esses críticos estão errados".

No final de uma semana atribulada ao nível interno devido ao diferendo público mantido com o primeiro-ministro, que levou o Presidente da República a mostrar publicamente apoio a António Costa, o ministro das Finanças reassumiu esta sexta-feira o papel de líder do Eurogrupo para uma reunião com os pares da Zona Euro que já decorre. 

No habitual vídeo prévio ao início do encontro, Mário Centeno lembrou que a UE tem sido acusada de "arrastar os pés" na resposta à crise para logo rebater tais críticas com um elogio ao trabalho desenvolvido pela instituição informal que junta os ministros das Finanças da moeda única: "O nosso trabalho no Eurogrupo tem provado que esses críticos estão erradas". 

A provar isso mesmo, o responsável europeu apontou o pacote de 540 mil milhões de euros acordado há cerca de um mês pelo Eurogrupo que cria redes de segurança de proteção às economias dos países que integram o bloco do euro, ao emprego (SURE) e às empresas, sobretudo as PME. 
Centeno notou que tais medidas permitem nivelar aquelas que têm sido as respostas à crise adotadas pelos Estados-membros, assegurando uma resposta de emergência capaz de preparar o caminho para um mais abrangente plano de recuperação económica e social da UE.

Depois garantiu que o Eurogrupo vai apresentar, "nas próximas semanas", propostas sobre os investimentos necessários para responder ao choque económico.

Como tal, explicou que na reunião de hoje, novamente por videoconferência, serão discutidas as prioridades estratégicas do plano de recuperação da UE, assim como qual a melhor forma de "desenhar" esse fundo de retoma económica de modo a apoiar as "políticas nacionais" e "proteger o mercado único".

Apesar da semana difícil vivida como ministro das Finanças, estas declarações de Centeno parecem também configurar uma resposta ao artigo publicado há uma semana pelo influente jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, que além de garantir que o português estaria de saída da liderança do Eurogrupo citava fontes que caracterizaram o português como um líder que chega amiúde mal-preparado a este fórum europeu. 

A Comissão Europeia falhou o prazo inicial (6 de maio) para a apresentação de uma proposta para o plano de recuperação da UE, o qual incluirá um fundo de recuperação executado no âmbito do orçamento comunitário de longo prazo (QFP 2021-27) e financiado pela emissão de dívida por parte do próprio órgão executivo da União. A data esperada para ser conhecido esse plano é agora o próximo dia 20 de maio.

Entretanto, já na manhã desta sexta-feira o Parlamento Europeu aprovou uma resolução (subscrita pelos cinco maiores grupos parlamentares pró-europeus) que visa pressionar a Comissão a propor um pacote de recuperação de dois biliões de euros assente mais em subvenções do que em empréstimos. Recorde-se que os líderes europeus chegaram a acordo acerca da necessidade de um fundo de recuperação, e sobre como financiá-lo, porém as divisões persistem quando ao modelo e critérios de distribuição. 

(Notícia atualizada)
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