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Cidadãos propõe negociação "sem condições" com PSOE e PP a 27 de Junho

Apesar de manter a recusa em apoiar um Governo liderado por Mariano Rajoy, Albert Rivera propôs que no dia seguinte às eleições PP, PSOE e Cidadãos se sentem à mesa para uma negociação "sem condições" como forma de ultrapassar o bloqueio político.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 21 de Junho de 2016 às 19:29
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As eleições legislativas espanholas são apenas no próximo domingo (26-J) e apesar de, naturalmente, não serem conhecidos os resultados finais, já se sabe que este segundo acto eleitoral num espaço de seis meses vai confirmar o fim do bipartidarismo e consagrar o chamado multipartidarismo.

 

Ou seja, PP, PSOE, Unidos Podemos e Cidadãos terão de conversar para encontrar uma solução de Governo que permita ultrapassar o bloqueio político vigente desde 21 de Dezembro do ano passado. Nesse sentido, esta terça-feira, 21 de Junho, Albert Rivera, presidente do Cidadãos, propôs que no dia 27 de Junho, logo depois das eleições de domingo, o partido por si liderado, o PP e o PSOE iniciem conversações "sem condições" para a formação de um Governo.  

 

Contudo, e mesmo pedindo o não estabelecimento de condições predeterminadas, Rivera gizou desde já três linhas vermelhas, duas que se mantêm desde as últimas eleições. O Cidadãos continua a rejeitar viabilizar um Governo liderado por Mariano Rajoy, presidente do PP e primeiro-ministro ainda em funções, recusa dialogar com o Podemos e quer que o novo Executivo implemente 10 reformas nos primeiros 100 dias de governação.

 

Esta posição reassumida por Albert Rivera enfraquece desde já a proposta de conversações no dia seguinte ao 26-J. Isto porque todas as sondagens atribuem a vitória ao PP e Mariano Rajoy mantém a intenção de chefiar o próximo Governo, sustentando que quem vence as eleições é que deve governar.

 

Já depois de ontem ter dito que está nas mãos do PSOE e do Cidadãos a possibilidade de evitar um hipotético terceiro acto eleitoral, tendo renovado o convite para a formalização de uma ampla coligação entre os partidos considerados moderados, esta terça-feira o primeiro-ministro espanhol em funções anunciou que só se apresentará à votação para a investidura como chefe de Governo se tiver garantido os apoios necessários.

 

Citado pelo ABC, Rajoy explicou que "vai-se à investidura para ser investido", assim justificando ter recusado, em Janeiro, apresentar-se no Parlamento espanhol como candidato à chefia do Governo. E numa nova tentativa de aproximação aos socialistas, que defendem a reforma da Constituição espanhola por considerarem a mesma desfasada dos tempos modernos, Rajoy afiançou não ter definido nenhuma linha vermelha sobre este assunto.

 

Já o secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, mantém que os socialistas não irão de forma alguma conferir apoio a um Governo protagonizado pelos populares, defendendo a necessidade de "mudança" expressa a 20 de Dezembro e que acreditam será novamente veiculada no domingo. Sánchez reiterou também discordar da realização de um referendo sobre a independência da Catalunha, garantindo que uma reforma constitucional propiciaria a maior autonomia pretendida pelos catalães.


Podemos assume posição de força à esquerda
 

Um pouco à margem desta troca de argumentos surge a coligação Unidos Podemos (aliança entre o Podemos e respectivas confluências regionais com os pró-comunistas da Esquerda Unida). A força liderada pelo secretário-geral do Podemos, Pablo Iglesias, surge em segundo nas sondagens, à frente dos socialistas. O que, a verificar-se, deixará o Unidos Podemos como única alternativa de Governo à esquerda, dado que Iglesias, que há poucos meses propôs a formação de um Executivo PSOE-Podemos, liderado por Sánchez, já não aceitaria tal possibilidade.

 

Reforçado pela tendência das intenções de voto, Iglesias avisou esta terça-feira Sánchez de que o Unidos Podemos não abdica da realização de um referendo sobre a independência da Catalunha, hipótese amplamente rejeitada pela direcção socialistas e pelos barões do PSOE. 

Independentemente de a aliança entre Podemos e Esquerda Unida - feita precisamente com o intuito de ultrapassar o PSOE - ficar ou não na segunda posição, Iglesias vai assumir um papel decisivo à esquerda, podendo tentar forçar um Governo com os socialistas ou levando o partido de Sánchez a viabilizar um Executivo do PP. Possibilidades que poderiam levar a uma espécie de pasokização do PSOE, o grande objectivo do Podemos.

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