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Cidadãos quer mediar um Governo de bloco central entre PP e PSOE

O líder do partido espanhol Cidadãos, Albert Rivera, quer ser o mediador de um compromisso entre o PP e o PSOE que permita a entrada em funções de um governo de minoria. O objectivo é acabar com o impasse e executar diversas reformas em Espanha.

Bloomberg
Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 26 de Janeiro de 2016 às 17:45
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Albert Rivera quer ser o fiel da balança numa solução governativa que resolva o impasse político em Espanha e propõe encetar negociações em separado com PP e PSOE que permitam aos dois partidos chegar a acordo num vasto conjunto de reformas, entre as quais a reforma da lei eleitoral, dos partidos, do mercado laboral ou a revisão da Constituição. Se existisse acordo, as medidas poderiam ser aplicadas por um hipotético governo de minoria com elementos de ambos os partidos, mas com amplo apoio parlamentar, escreve o El País.

 

Foi esta a proposta ambiciosa que Albert Rivera apresentou ao rei Filipe VI, na esperança que o monarca a aceite para assim resolver o impasse político espanhol. O Cidadãos elegeu 40 deputados nas eleições de 20 de Dezembro, insuficientes para, sozinho, dar maioria ao PP (elegeu 123) ou ao PSOE (90). Por outro lado, se os dois principais partidos espanhóis se entendessem, não precisariam do Cidadãos para formar maioria. Porém, o líder do partido acredita que só com a sua mediação é que os dois partidos aceitam negociar.

 

"Existe um espaço comum [entre os dois], só falta vontade. A linha vermelha é a união entre os espanhóis, a Constituição e o enquadramento económico e social", afirmou esta manhã Rivera, numa entrevista a uma rádio, citado pelo El País. O líder do Cidadãos considera que o cenário "perfeito" seria sentar PP, PSOE e o seu partido na mesma mesa, "como fazem os países sérios".

 

Não sendo possível, "falaremos uns com os outros para encontrar os pontos em comum. Estamos obrigados a fazer o que é difícil", sublinhou. "Hoje não se pode governar Espanha a negar o essencial ao outro grande partido. Isso já acabou. Quem não perceber isso vai fazer com que Espanha enfrente um bloqueio, ou que governem o PSOE e o Podemos. Já se acabou a governação de costas voltadas para todo o país", afirmou Rivera.

Com um acordo entre os dois, o Cidadãos votaria a favor da investidura do Governo.

 

Rajoy disponível para encontrar uma solução conjunta

 

Esta segunda-feira, também segundo o El País, Rivera e o ainda primeiro-ministro em funções, Mariano Rajoy, que é líder do PP, concordaram em colocar equipas a negociar fórmulas que garantam a governabilidade do país e o início da legislatura sem serem necessárias novas eleições. Essas reuniões só vão começar depois da segunda ronda de audições, que o rei vai iniciar amanhã, quarta-feira.

Albert Rivera confirmou que não pretende fazer parte de um hipotético governo que resulte de um acordo entre PP e PSOE e considera que a formação do Executivo deve ser a última das tarefas – embora conceda que a iniciativa de o formar deva pertencer ao PP, que venceu as eleições, embora a anos-luz da maioria absoluta.

 

"Não nos preocupa tanto a duração da legislatura, mas sim os acordos de reformas e o respectivo calendário de execução", detalhou José Manuel Villegas, vice-secretário-geral do Cidadãos, igualmente ao periódico madrileno.

 

Albert Rivera espera conversar com Pedro Sánchez ainda esta terça-feira para perceber se tem luz verde do líder dos socialistas espanhóis para pôr em marcha as negociações.

No final da semana passada, Mariano Rajoy recusou a investidura no cargo de primeiro-ministro que lhe foi proposta pelo rei, por considerar que não tinha apoios, em especial pelo facto de PSOE e Podemos estarem a negociar uma solução de Governo. Mas Rajoy garante que não disse não à investidura.

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