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Cúpula do PSOE rejeita acordo dos socialistas com o Podemos

De um lado, vários elementos de topo do PSOE recusam a possibilidade de um acordo de Governo com o Podemos. Do outro, "En Comú Podem", a aliança catalã do Podemos, avisa que rejeitará uma aliança entre PSOE, Cidadãos e Podemos.

Pedro Elias
David Santiago dsantiago@negocios.pt 01 de Fevereiro de 2016 às 15:38
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Não se trata propriamente de uma novidade, mas agora ficou clara a divisão entre as figuras de topo do PSOE quanto a um eventual acordo de Governo que integre o partido de extrema-esquerda Podemos. A divulgação, por parte da Cadena Ser, de vários áudios da reunião do Comité Federal do PSOE, que decorreu no passado sábado, confirma que muitos socialistas de relevo não vêem com bons olhos a possibilidade de os socialistas governarem em conjunto com o Podemos.

 

Nos áudios da reunião que deveria servir para ajustar a estratégia política do PSOE, numa altura em que prosseguem as audições do rei Felipe VI aos partidos com assento parlamentar, confirma-se que Susana Díaz se afirma cada vez mais como alternativa ao actual secretário-geral dos socialistas espanhóis, Pedro Sánchez. "Um Governo de coligação com o Podemos... não vejo isso", sentencia a presidente do Governo da região autonómica da Andaluzia e uma figura em ascensão no partido.

 

No meio do rol de críticas à estratégia seguida por Sánchez, Susana Díaz destaca-se pela forma declarada como se opõe à possibilidade de o PSOE governar com o Podemos, isto depois de ter registado "o pior resultado da história" do partido. Lembrando que o PSOE perdeu apesar dos casos de corrupção que há muito debilitam a imagem pública dos populares, Díaz defende que "se o PP nos ganhou as eleições nestas circunstâncias, é porque não estávamos no caminho correcto".

 

O caminho é cada vez mais estreito para Pedro Sánchez que, esta terça-feira, 2 de Fevereiro, irá reunir-se com Felipe VI, o último dia da segunda ronda de audições que o monarca espanhol efectua desde as eleições gerais de 20 de Dezembro que, além de não garantirem qualquer maioria absoluta, também não permitiram que algumas das alianças consideradas mais prováveis – PP e Cidadãos; ou PSOE e Podemos – conseguissem por si só alcançar um suporte parlamentar maioritário.

 

cotacao Se o PP nos ganhou as eleições nestas circunstâncias, é porque não estávamos no caminho correcto. Susana Díaz 

O El País escreve mesmo que Pedro Sánchez já estará a trabalhar sob o pressuposto de que Mariano Rajoy, primeiro-ministro agora em funções e líder do PP, volte a rejeitar a investidura como chefe de Governo. Rajoy, que será ouvido amanhã logo depois do líder socialista, poderá assim voltar a utilizar a mesma estratégia de não aceitar a investiduraO que lhe garantiria mais tempo para negociar alianças de Governo, evitando que comecem a contar os 60 dias que a Constituição confere como tempo limite para que seja encontrada uma solução governativa, período findo o qual são convocadas novas eleições. E, por outro lado, Rajoy veria, com toda a probabilidade, Felipe VI conferir a Pedro Sánchez o ónus da formação de um Governo, sabendo-se de antemão que tal processo se afigura altamente complexo.

 

Podemos rejeita acordo tripartido PSOE-Cidadãos-Podemos

 

Para dificultar ainda mais o caminho já repleto de obstáculos do secretário-geral do PSOE, o "En Comú Podem", movimento catalão do Podemos, veio entretanto garantir que não apoiará uma solução que passe por um acordo de Governo entre o PSOE e o Podemos que também inclua o Cidadãos. Para o porta-voz desta candidatura catalã apoiada pelo Podemos, Xavier Domènech, "o PSOE terá de escolher entre o Cidadãos, que segue o caminho da grande coligação, ou o Podemos e as suas confluências".

 

Domènech referia-se ao facto de, por um lado, o Cidadãos de Albert Rivera defender uma grande coligação, entre PSOE e PP, que permitisse efectuar as reformas necessárias. Por outro, Xavier Domènech recorda que um acordo com o Podemos inclui necessariamente as três plataformas favoráveis à autodeterminação (Catalunha, Galiza e Comunidade Valenciana) que fazem parte do grupo parlamentar do Podemos.

 

A rejeição dos pelo menos 12 deputados da candidatura catalã apoiada pelo Podemos a um acordo que integre o Cidadãos, partido que durante a campanha eleitoral já rejeitava participar de qualquer solução que integrasse aquele partido liderado por Pablo Iglesias, faz com que para o PSOE chefiar um Governo terá de garantir o apoio, no Parlamento, da Esquerda Unida (IU) e ainda dos pequenos partidos regionais e independentistas.

 

Sem uma perspectiva clara de Governo, a solução para Espanha poderá mesmo passar por novas eleições. Cenário que o PSOE não rejeita. Como adverte Javier Fernández, presidente da federação socialista asturiana, "tenho de pensar que vai haver novas eleições, penso-o e digo-o". Susana Díaz está à espreita, e se houver lugar a novo acto eleitoral, é bem provável que a presidente da Andaluzia queira ocupar a posição que é actualmente de Pedro Sánchez. 


Prazo para formar Governo ainda não começou a contar A indefinição em torno da liderança e composição do futuro Governo espanhol é agravada por um vazio legal da Constituição do reino de Espanha. Ao contrário do que chegou a ser assumido pelos partidos espanhóis e por alguns órgãos de comunicação social, o prazo de 60 dias ao longo dos quais podem prolongar-se as discussões e votações ao candidato a presidente do Governo ainda não começou a contar.

Segundo o ponto 5º do artigo 99º da Constituição espanhola, o prazo de dois meses só começa a contar após a primeira votação do Congresso (equivalente à Assembleia da República) ao candidato à chefia do Executivo proposto pelo rei. Como Mariano Rajoy rejeitou apresentar-se a esta votação devido à falta de suporte parlamentar, e entretanto Felipe VI ainda não encarregou ninguém para formar Governo, os 60 dias ainda não começaram a contar.
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