Europa Depois de acordo com o PSOE, Cidadãos vai tentar garantir apoio do PP

Depois de acordo com o PSOE, Cidadãos vai tentar garantir apoio do PP

O “acordo de legislatura” do PSOE e Cidadãos não garante o suporte parlamentar necessário à investidura de Pedro Sánchez. Como tal, o Cidadãos vai tentar convencer o PP a mudar de posição e a apoiar um Governo socialista.
Depois de acordo com o PSOE, Cidadãos vai tentar garantir apoio do PP
Reuters
David Santiago 25 de fevereiro de 2016 às 15:37

O Cidadãos não se conforma com a forte possibilidade de o acordo formalizado com o PSOE poder não ter qualquer utilidade prática. Por isso, o partido liderado por Albert Rivera vai tentar convencer o PP e o seu presidente Mariano Rajoy, primeiro-ministro espanhol ainda em funções, a apoiarem a investidura de Pedro Sánchez, secretário-geral do PSOE, como primeiro-ministro.

 

De acordo com a imprensa espanhola, Rivera vai tentar reunir-se com Mariano Rajoy ainda antes da realização da primeira votação para a investidura de Sánchez, marcada para a próxima quinta-feira, 3 de Março. O objectivo passa por tentar convencer os populares a absterem-se nessa votação, viabilizando a formação de um Executivo socialista. Mas esta afigura-se como uma missão difícil. O PP rejeita viabilizar um Governo que não seja liderado por Rajoy, que venceu as eleições gerais de 20 de Dezembro com uma margem confortável relativamente aos socialistas, que registaram mesmo o pior resultado eleitoral desde a transição democrática espanhola. Não ficou ainda claro se o Cidadãos aceita ou não participar dessa eventual solução governativa, ultrapassando assim a recusa sempre evidenciada quanto à participação num Executivo, quer liderado pelo PP, quer pelo PSOE. 

 

Pelo contrário, os populares deverão insistir na proposta de uma grande aliança para governar Espanha, formada pelos partidos moderados e que têm mais a uni-los do que a separá-los: PP, PSOE e Cidadãos. Estas duas últimas forças políticas concretizaram esta quarta-feira um "acordo de legislatura" tendo em vista a formação de um "Governo progressista", mas sabe-se que este compromisso não detém o suporte parlamentar necessário à tomada de posse de Sánchez. Prevê-se por isso que tanto Rivera como Sánchez iniciarão agora a procura de apoios, até porque o tempo escasseia.

 

Nesse sentido, num artigo de opinião publicado no El País esta quinta-feira, 25 de Fevereiro, o secretário-geral socialista defende que os resultados eleitorais que produziram o Congresso (equivalente à Assembleia da República) mais polarizado de sempre mostraram "uma forte vontade de mudança". Mudança essa que deve reflectir-se na forma de fazer política, através, por exemplo, da substituição "do verbo vetar pelo abraço ao verbo acordar".

 

Porém, Sánchez revela neste artigo que o compromisso acordado com o Cidadãos permitirá "derrogar todos os cortes e todas as reformas dos últimos quatro anos de [governação do] PP", garantia que parece configurar mais um obstáculo a um entendimento com os populares. E confirma ainda que o acordo será votado, em referendo interno, a 27 de Fevereiro pelos militantes do PSOE, lamentando ainda que o Podemos tenha abandonado a mesa de negociações depois de ter tomado conhecimento da formalização do compromisso entre "o centro-esquerda e o centro direita", como definiu o líder socialista.

 

Sánchez coloca pressão sobre o Podemos

 

Fazendo fé na reduzida margem de que PSOE e Cidadãos dispõem para garantir o apoio do PP, Pedro Sánchez aponta agora baterias ao Podemos e ao seu secretário-geral, Pablo Iglesias. "Curiosamente, o Podemos foi o último a sentar-se à mesa de negociações e foi o primeiro a levantar-se dela", acusou Sánchez que avisa que será "incompreensível para os eleitores do Podemos e de esquerda" que Iglesias "vote junto com Rajoy contra o PSOE".

 

Esta quarta-feira, Íñigo Errejón, número dois do Podemos, apressou-se a anunciar que este partido abandonava com efeitos imediatos as conversações a quatro (incluía ainda a Esquerda Unida e o Compromís) iniciadas na semana passada tendo em vista a formação de um Governo das esquerdas. Este foi um balde de água fria para Sánchez, que pretendia conjugar o apoio do Cidadãos com o do Podemos.

 

Em declarações prestadas esta manhã à Cadena Ser, Pedro Sánchez sustentou que "o bloqueio das esquerdas não é superior ao das direitas" e apelou "à unidade das forças da mudança" para que na próxima semana "coloquemos um fim ao Governo de Rajoy". Tendo em conta a rejeição de várias importantes figuras socialistas a um acordo de Governo com o Podemos, Pedro Sánchez insiste na formação de um Governo exclusivamente protagonizado pelo PSOE. Além de que a intransigência patente na proposta de Governo apresentada pelo Podemos a Sánchez, acabou por produzir uma aproximação entre PSOE e Cidadãos.

 

O líder socialista tenta assim responsabilizar o Podemos por um provável falhanço nas votações da próxima semana, o que poderá mesmo vir a determinar a realização de novas eleições em Espanha. "Ontem houve dois acordos: um entre PSOE e Cidadãos pela mudança, e outro pelo bloqueio entre PP e Podemos", atirou Sánchez. Já o PP parece apostar tudo em novas eleições, até porque poderá beneficiar eleitoralmente da aproximação entre PSOE e Cidadãos. Não será difícil a Rajoy sustentar que um voto no partido de Rivera é o mesmo que votar nos socialistas.

 

O panorama prossegue assim indefinido em Espanha. Sem a abstenção ou voto favorável do PP e, ou, do Podemos, o PSOE não poderá liderar o próximo Governo, isto independentemente do apoio do Cidadãos. Porque os partidos de Sánchez e Rivera estão ainda distantes dos votos necessários à investidura do líder socialista como primeiro-ministro. 




Notícias Relacionadas
pub

Marketing Automation certified by E-GOI