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Dirigente do PP em Valência detido por suspeitas de corrupção

Alfonso Rus é uma das 24 personalidades detidas no âmbito de uma operação anticorrupção centrada na região autonómica da Comunidade Valenciana. A investigação centra-se em instituições valencianas antes lideradas pelo PP.

27 Espanha
David Santiago dsantiago@negocios.pt 26 de Janeiro de 2016 às 14:50
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A Guarda Civil espanhola deteve esta terça-feira, 26 de Janeiro, 24 personalidades ligadas à gestão camarária e autonómica da região autonómica de Valência por suspeitas da prática de corrupção e branqueamento de capitais. No total, são 29 as pessoas investigadas no âmbito da operação.

 

Entre elas destaca-se Alfonso Rus, ex-líder do PP em Valência, antigo presidente da assembleia daquela região, entre 2007 e 2015, e, mais recentemente, presidente da câmara de Xàtiva. Já ao fim da manhã, o El Mundo noticiou que na origem da investigação está também o ex-deputado regional popular, David Serra, já processado no caso de Gürtel que investiga o financiamento ilegal partidário, nomeadamente do PP, e Máximo Caturla, ex-membro da assembleia regional.

 

Segundo avança o El País, esta operação anticorrupção está centrada em câmaras da região de Valência, na assembleia regional e no próprio governo autonómico, instituições que foram lideradas pelo PP. Contam-se ainda entre os detidos, refere o La Vanguardia, Emilio Llopis, antigo chefe de gabinete de Rus, María José Alcón, ex-conselheiro do PP na Câmara de Valência.

 

Também em foco na investigação está a gestão feita por Rita Barberá, anterior presidente da câmara de Valência, a terceira maior cidade espanhola, naquela autarquia. Barberá já estava a ser investigada devido a alegados desvios de fundos e gastos de representação ilegais.

 

O PP já reagiu decretando a suspensão cautelar da militância partidária dos militantes investigados, tendo também acordado a destituição, com carácter imediato, de todos os cargos desempenhados pelos detidos que actualmente estivessem em funções relacionadas com o partido. O porta-voz do PP no Congresso espanhol (equivalente à Assembleia da República), Rafael Hernando, citado pelo El País, considerou como "medidas contundentes" as decisões referidas.

 

No centro da investigação está também a empresa pública Ciegsa, dirigida durante largos anos por Caturla e responsável pela construção de escolas. As autoridades detectaram sobrecustos superiores a mil milhões de euros nas actividades desta empresa. A Engloba, uma empresa de comunicação, também está a ser investigada.

 

Em causa estão suspeitas relacionadas com uma alegada rede internacional de pagamentos de comissões, que aproveitava adjudicações milionárias aquando da celebração de contratos públicos. Por exemplo, estão a ser investigados contratos celebrados com a assembleia regional, então liderada por Alfonso Rus, como um relacionado com a rede de iluminação (32 milhões de euros).

 

Na origem deste processo estão mais de 10 horas de gravações de conversas que a deputada regional da Esquerda Unida, Rosa Pérez, entregou à Procuradoria Anticorrupção de Valência. Nestas gravações ouve-se Rus a contar dinheiro e a conversar sobre o montante a cobrar por subornos relacionados com a adjudicação de contratos.

Numa altura em que continuam indefinidas as negociações tendo em vista a formação do futuro Governo de Espanha, estas notícias poderão abalar mais a posição negocial do PP, que venceu as eleições gerais do passado dia 20 de Dezembro. Entre outras forças partidárias, o Podemos destacou-se nas críticas aos populares e ao seu líder e o primeiro-ministro agora em funções, Mariano Rajoy, devido à suposta complacência relativamente a práticas de corrupção.

Mas também o secretário-geral socialista, Pedro Sánchez, chegou a acusar Rajoy de ser "indecente". Nos últimos anos, o PP viu-se envolvido em inúmeros casos e polémicas relacionadas com corrupção, como são disso exemplo os casos Gürtel e Barcenas.

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