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Durão Barroso: União Europeia "fará tudo" para Grécia continuar no euro

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, afirmou hoje que a União Europeia vai "fazer tudo" para a Grécia continuar no euro, que é um "projecto de paz e reconciliação", mais do que uma "união monetária".

Lusa 17 de Maio de 2012 às 17:13
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Falando na Assembleia Geral das Nações Unidas, num debate temático de alto nível sobre a situação da economia mundial, Barroso declarou estar confiante após as medidas tomadas pelos "27" para lidar com a crise e afirmou "muito claramente" que o objectivo é "que a Grécia fique na zona euro".

"A União Europeia fará tudo para assegurá-lo", disse o presidente da Comissão Europeia.

"Vamos honrar os nossos compromissos em relação à Grécia e esperamos que o governo grego - actual e futuro - cumpra as condições acordadas conjuntamente para a assistência financeira", adiantou.

Barroso disse que a "vontade do povo grego" será "totalmente respeitada" por Bruxelas, ressalvando que igualmente será tida em atenção a vontade dos 16 países da zona euro que concordaram com as condições de assistência financeira.

O que "os comentadores frequentemente subestimam" em relação ao euro, afirmou, é que a moeda única é, "muito mais do que uma construção monetária", um "projecto de paz e reconciliação que está nas origens da integração europeia".

"É este projeto de paz que ainda nos une para além de dificuldades momentâneas", disse.

Perante a Assembleia Geral da ONU, Barroso defendeu que a crise económica tem uma natureza e impacto global e que as causas da situação na zona euro são as mesmas da que afligiu os Estados Unidos em 2007.

Quando as "bolhas" financiadas pelos mercados financeiros que erraram na avaliação de risco, o sector público aumentou o financiamento à economia, levando à escalada dos défices públicos, que desde então elevaram "dramaticamente" os níveis de endividamento.

Barroso defendeu que "muito foi feito nos últimos dois anos para ultrapassar estes problemas" na União Europeia, uma "resposta robusta" que incluiu a "reparação" do sector bancário, fortalecimento da governação económica, dos mecanismos de emergência e "solidariedade sem precedentes" para países membros afectados.

O foco da resposta europeia, defendeu, deve continuar a ser a "estabilidade" e "reduzir dívidas a défices é essencial para aumentar a confiança e cortar os custos de financiamento".

"Cada euro gasto no pagamento de juros é um euro a menos para os empregos e investimentos", afirmou.

Outras prioridades, afirmou, incluem acelerar as reformas estruturais, aprofundando o Mercado único e criando um "genuíno" mercado laboral europeu, bem como aumentar o investimento.

Este aumento resultará da emissão de obrigações para projectos de infra-estruturas de transportes, energia e digitais, que irá atrair financiamento de 4,6 mil milhões de euros nos próximos dois anos, e do aumento do capital do Banco Europeu de Investimento em 10 mil milhões de euros para financiar a criação de emprego.

Isto significa um aumento de investimento na ordem de 180 mil milhões de euros, o equivalente a 1,5 por cento do PIB da UE, disse Barroso.

O Orçamento para os próximos sete anos, afirmou, tem como foco iniciativas de estímulo ao crescimento e competitividade.

"Estamos a fazer uma reforma de raiz das nossas políticas orçamentais e económicas. E, para além do `som e da fúria´, estamos a fazer bons progressos em estabelecer fundações firmes para uma retoma económica forte e crescimento sustentável", afirmou.

A Comissão Europeia, afirmou, teria preferido uma "resposta mais rápida e por vezes mais arrojada", mas tem de trabalhar na base do compromisso com os 27 Estados membros, 17 na zona euro.

Barroso afirmou ainda que as "instituições, mecanismos de vigilância e defesa" têm de ser fortalecidos para além da EU, e "a todos os níveis é preciso que outros sigam o exemplo".

No G20, afirmou, os "27" vão lutar pela implementação do Plano de Acção de Cannes para Criação de Emprego, para que os desequilíbrios macroeconómicos e promoção do crescimento estejam no núcleo da agenda do G20, em lugar do "crescimento impulsionado pelo crescimento insustentável".

Na sexta-feira, Barroso participa na cimeira do G8 em Camp David, em que a situação económica global será central nas discussões, tal como na reunião do G20 no próximo mês no México.

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