Europa Como podem os refugiados fazer renascer a economia?

Como podem os refugiados fazer renascer a economia?

Tem sido uma das bandeiras no apelo ao acolhimento de requerentes de asilo e agora um estudo do Fundo Monetário Internacional afirma: a integração de refugiados no mercado de trabalho traduz-se no aumento do PIB. Saiba como.
Como podem os refugiados fazer renascer a economia?
Reuters
Liliana Borges 20 de janeiro de 2016 às 10:56

O efeito macroeconómico do fluxo de refugiados produz um impacto positivo nos países de acolhimento. Este é a conclusão do relatório "A onda de refugiados na Europa: os desafios económicos", apresentado esta quarta-feira, 20 de Janeiro, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O Negócios destaca os pontos chave do estudo.


Quais são os custos orçamentais?

Segundo o relatório "A onda de refugiados na Europa: os desafios económicos", por ano, cada refugiado representa um peso de 12 mil euros. Estes custos incluem as despesas durante o processo de requisição de asilo (durante o qual não são elegíveis para um trabalho) e que se pode estender até dois anos. Caso o processo seja recusado, os requerentes de asilo podem continuar a receber apoio durante mais 12 meses, até serem enviados para os países de origem.

O impacto na economia dependerá também da distribuição (até agora assimétrica) dos refugiados pelos países europeus. Numa simulação citada no relatório, caso a integração dos refugiados no mercado laboral seja positiva, em 2020 o PIB da União Europeia poderá aumentar 0,25%. Para a Áustria, Alemanha e Suécia, os três maiores países de acolhimento, o aumento poderá variar entre 0,5% e 1,1%.

O exemplo da Turquia


A Turquia, um dos países com o maior número de refugiados do mundo é utilizado como exemplo na análise às mudanças do mercado laboral. De acordo com dados citados pelo relatório, a entrada de refugiados no mercado de trabalho resultou numa diminuição no desemprego de algumas regiões, assim como no aumento de trabalhos com níveis de remuneração elevados a serem ocupados por cidadãos turcos.

A simulação macroeconómica a curto prazo

Num primeiro momento, o impacto macroeconómico do acolhimento de refugiados representará um aumento da despesa pública com habitação, alimentação, saúde e educação, o que provocará uma subida da procura agregada. Todavia, os efeitos da entrada dos refugiados no mercado de trabalho irão equilibrar esta despesa inicial. "A médio e longo prazo, o impacto de refugiados no mercado de trabalho e no PIB dependerá da velocidade da sua integração e da forma como as qualificações dos novos trabalhadores irão complementar ou substituir as forças de trabalho do país de acolhimento", pode ler-se no relatório.


Quais são os países que mais vêem a sua despesa orçamental aumentar?

De acordo com o FMI, numa estimativa que, alerta, é incerta, os países que em 2016 registam o maior aumento da despesa orçamental em percentagem do PIB são a Áustria, Finlândia, Suécia e Alemanha. Fora das contas fica Portugal.


Além disso, apesar da União Europeia ter aumentado o fundo de apoio de 1.7 mil milhões de euros para 9.2 mil milhões de euros, "apenas uma pequena parte dos custos fiscais imediatos são suportados pelo orçamento europeu".


O que se sabe sobre a integração no mercado de trabalho?


A maioria dos estudos não distingue os migrantes dos refugiados e importa destacar que enquanto a prioridade dos migrantes económicos é escolher o destino com base nas oportunidades de trabalho, os refugiados têm como prioridade chegar a um território seguro.


Importa ainda sublinhar que a condição do mercado laboral no momento de entrada pode afectar a velocidade da integração no mercado de trabalho. Dados recentes mostram que esta onda de refugiados poderá ter melhor qualificação académica que os imigrantes do mesmo país de origem. No entanto, quanto mais tempo demorar a integração dos refugiados, mais o período de inactividade prejudica os níveis de qualificação e, consequentemente, prejudica a sua integração a médio e longo prazo.


Quais são os efeitos no emprego e remunerações dos trabalhadores nacionais?


Segundo o relatório do FMI, o efeito nos trabalhadores nacionais é mínimo, mas depende da complementaridade das qualificações e da flexibilidade do mercado de trabalho. Por outro lado, a chegada de refugiados com elevados níveis de qualificação poderá ser uma estimulação à especialização e maior progressão na carreira dos trabalhadores nacionais.


E os efeitos fiscais a longo prazo?

A contribuição líquida orçamental é difícil de prever. No entanto, existem dados que importam considerar: a contribuição líquida dos imigrantes é normalmente maior do que a dos cidadãos do país de acolhimento, mesmo quando os níveis de qualificação são inferiores.  




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