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Espanha: Cidadãos quer Governo PP-PSOE chefiado por independente

O líder do Cidadãos pede que Rajoy e Sánchez se afastem e permitam formar um Executivo PP-PSOE liderado por um independente. Rajoy assume que dirá ao rei não ter apoios para ser investido primeiro-ministro.

Albert Rivera: O líder do Cidadãos é um dos rostos da revolução política que ocorreu em Espanha este ano. Com o Podemos pulverizou o tradicional bipartidarismo.
David Santiago dsantiago@negocios.pt 21 de Abril de 2016 às 14:22
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Albert Rivera, líder do Cidadãos, apresentou esta quinta-feira, 21 de Abril, uma proposta que visa superar o bloqueio político em Espanha e evitar a realização de novas eleições gerais. Rivera pede aos líderes do PP e do PSOE, Mariano Rajoy e Pedro Sánchez, respectivamente, que se afastem e viabilizem a formação de um Governo de coligação PP-PSOE liderado por um independente.

 

"Se nós, os líderes, somos o problema, demos então um passo atrás para que haja Governo. Assumo que estamos a fracassar. Sejamos capazes de construir um Governo de consenso, com um presidente, um vice-presidente e uma equipa de consenso", disse esta manhã Albert Rivera (na foto) numa entrevista à estação Telecinco citada pelo El País.

 

Depois de o pacto assinado entre o PSOE e o Cidadãos não ter recolhido os apoios parlamentares necessários à investidura do secretário-geral socialista como primeiro-ministro, e de as bases do Podemos terem, em definitivo, sentenciado a possibilidade de concretização desta solução, Albert Rivera propõe como alternativa a formação de um "Governo de transição" que possa evitar novas eleições gerais, presumivelmente no próximo dia 26 de Junho.

 

Sendo que o Cidadãos considera que esse pacto foi com os socialistas e não apenas com Sánchez, pelo que o partido considera que essas propostas continuam em cima da mesa.

 

Albert Rivera, que logo depois das eleições já havia proposto uma aliança PP-PSOE apoiada no Congresso (equivalente à Assembleia da República) pelo próprio Cidadãos, insiste agora nessa solução embora com protagonistas diferentes. Isto porque Sánchez e o PSOE rejeitam suportar qualquer solução governativa que seja protagonizada por Rajoy, o primeiro-ministro ainda em funções.

 

E constatando que o problema está nos líderes e tendo em conta que o Cidadãos em mais do que uma ocasião criticou as agendas pessoais de Sánchez e de Rajoy, Rivera disponibiliza-se a ser ele próprio o primeiro a afastar-se.

 

Rajoy e Sánchez rejeitam proposta do Cidadãos

A proposta de Rivera mereceu imediato reparo de Mariano Rajoy que, ignorando a disponibilidade do líder do Cidadãos para dar o exemplo nesse passo atrás, o instou a que seja ele então "o primeiro". Também Pedro Sánchez colocou de parte a ideia de ser um independente a chefiar um Executivo PP-PSOE considerando que "não queremos um Governo tecnocrata".

 

Mas se Rajoy e Sánchez coincidem na rejeição da ideia de Albert Rivera, em tudo o resto permanecem afastados, designadamente porque o líder socialista mantém a rejeição à vice-presidência do Governo oferecida por Rajoy, que defende por seu lado a formação de um Executivo entre as forças moderadas: PP, PSOE e Cidadãos.

 

Ainda assim Rajoy insistiu esta quinta-feira que "Sánchez sabe que continuamos dispostos a conversar" e garantiu que se fracassar, como tudo indica, a formação de um Governo e houverem novas eleições serão Sánchez e Rivera os "responsáveis pelo fracasso".

 

Patxi López entrega lista dos partidos que serão recebidos pelo rei

 

O presidente do Congresso espanhol, o socialista Patxi López, esteve na manhã desta quinta-feira na Zarzuela, onde entregou em mão ao rei de Espanha, Felipe VI, a lista dos partidos com assento parlamentar que na próxima segunda e terça-feira serão ouvidos na terceira ronda de conversações com o monarca.

 

López disse aos jornalistas que não conversou com Felipe VI sobre a proposta hoje feita pelo presidente do Cidadãos, constatando que o rei irá aproveitar a ocasião para "constatar" se existe, ou não, algum candidato à investidura como primeiro-ministro que conte "com os apoios necessários".

 

Ao que tudo indica ninguém recolherá o suporte necessário, pelo que é muito provável que no final do próximo dia 2 de Maio – data-limite para a formação de Governo – Felipe VI cumpra a constituição e dissolva as cortes para, de seguida, agendar novas eleições gerais.

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