Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Espanha: Governo e oposição trocam críticas sobre situação da banca e resgate ao sector bancário

O Governo e a oposição espanhóis trocaram hoje críticas sobre os problemas do sistema financeiro espanhol e a ajuda europeia ao sector bancário, tendo o chefe do executivo considerado que é um apoio "fundamental e prioritário".

Lusa 13 de Junho de 2012 às 10:20
  • Assine já 1€/1 mês
  • 1
  • ...
O resgate ao sector bancário marcou a sessão de controlo ao Governo no Congresso de Deputados, em que o líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Alfredo Pérez Rubalcaba, exigiu saber detalhes sobre as condições do apoio.

"O resgate tem uma letra pequena que convém estudar a fundo nesta câmara. O diabo está nos detalhes. Devemos criar uma comissão que examine o que ocorreu no sistema financeiro", afirmou.

Em resposta, Mariano Rajoy atacou o Governo anterior, afirmando que o apoio para a banca espanhola "devia ter sido feito há três anos", altura em que vários países europeus "injectaram 1,5 biliões de euros para ajudar vários bancos".

"Um país sem um sistema financeiro com crédito e solvente tem muitas dificuldades para criar emprego. Em 2009 não quiseram fazer isso, disseram que tínhamos o melhor sistema financeiro do mundo e não o temos e por isso nos dirigimos à UE e conseguimos 100 mil milhões de euros para apoio aos bancos", disse Rajoy.

"O que os outros fizeram com os seus próprios recursos fazemos nós com ajuda europeia. Levamos três anos de atraso em relação aos restantes países", afirmou.

Mariano Rajoy voltou a defender o acordo, "um crédito à banca que vai ser pago pela banca", sendo de "celebrar que os parceiros europeus tenham apoiado" Espanha.

"Eu sou presidente do Governo, encontrei-me com esta situação e vou tomar as decisões que creio serem boas", disse.

Em resposta a perguntas sobre o mesmo tema de Joan Coscubiela, da Esquerda Plural, Rajoy defendeu que esta medida é "fundamental e prioritária" para responder a uma crise provocada pela enorme dívida externa das administrações públicas, famílias, empresas e entidades financeiras.

Também a vice-presidente do Governo, Soraya Saénz de Santamaría, foi questionada sobre o tema, pela porta-voz do PSOE, Soraya Rodríguez, que acusou Rajoy de não ter falado aos cidadãos no sábado, "dia em que era mais necessário para o país", quando foi acordado o apoio a Espanha.

Rodriguez criticou Rajoy por ter gasto mais horas para ir ver o jogo da seleção espanhola, no domingo, contra Itália, do que as "12 horas e 10 minutos" que esteve, desde que tomou posse em Dezembro, no Congresso de Deputados.

Sáenz de Santamaría atacou os socialistas, afirmando que a situação atual não mereceu ação nos anos em que devia ter merecido. O acordo não terá quaisquer condições macroeconómicas, sublinhou.

"Convém opinar menos e trabalhar melhor", disse a vice-presidente.

O assunto marcou grande parte das questões ao Govenro, com a deputada socialista Inmaculada Rodriguez Piñero a acusar o governo de "semear medo" entre os cidadãos e de gerar incertezas no sistema financeiro.

"Sei que é difícil vender que temos o custo adicional de um empréstimo de 100 mil milhões de euros", afirmou, acusando o Governo de "gerir mal politicamente" a crise do Bankia, de adiar a apresentação do Orçamento de Estado e de corrigir várias vezes o valor do défice.

"Os espanhóis querem seriamente saber que não terão que fazer mais sacrifícios por causa do resgate à banca. Não vamos aceitar o modelo de bar aberto da Bankia. Temos que garantir que nos vai dizer a verdade sobre como será feito o resgate à banca", disse.

Em resposta, o ministro da Economia espanhol, Luis de Guindos, remeteu para as declarações do Eurogrupo, no sábado, que reconheceu "os esforços feitos por este Governo" tanto para o sector bancário, como no controlo das contas públicas e reformas estruturais.

"Isto era algo que devíamos ter feito há três anos. Não haverá qualquer custo para a sociedade. Não haverá condições adicionais no âmbito fiscal. Não haverá mais recomendações europeias, além das feitas no dia 30 de Maio. Haverá condições para facilitar a reestruturação do sistema e que terão que cumprir as entidades que recebam apoio", garantiu.

Ver comentários
Outras Notícias