Europa Espanha: PSOE acusa Podemos de bloquear acordo e aponta mira a novas eleições

Espanha: PSOE acusa Podemos de bloquear acordo e aponta mira a novas eleições

Os socialistas garantem ter chegado ao fim o período de fazer e receber propostas e contrapropostas. O mesmo é dizer que o PSOE parece conformado com a inevitabilidade de novas eleições. Já Rajoy insiste em acordo amplo como a "única opção séria".
Espanha: PSOE acusa Podemos de bloquear acordo e aponta mira a novas eleições
Reuters
David Santiago 11 de abril de 2016 às 19:41

Se dúvidas houvesse, o PSOE dissipou-as. O porta-voz socialista, Antonio Hernando, disse esta segunda-feira, 11 de Abril, que "o tempo das ofertas e contra-ofertas acabou", ou seja, o PSOE não espera concessões do Podemos no sentido de este partido conferir apoio ao acordo PSOE-Cidadãos e rejeita negociar com o PP do ainda primeiro-ministro em funções, Mariano Rajoy.

 

Mesmo sem o dizer abertamente, Hernando deixou subentendido que o PSOE encara como cenário mais do que provável – ou mesmo certo – o agendamento de novas eleições gerais para 26 de Junho próximo, como única via para superar o bloqueio política que impera em Espanha.


"Pablo Iglesias bloqueou a mudança em Espanha", disse o porta-voz do PSOE que garante que os socialistas não confiam no líder do Podemos. Apesar de Iglesias ter agendado para o próximo fim-de-semana um referendo em que as bases do Podemos serão chamadas a pronunciar-se sobre se o partido deve, ou não, apoiar o "acordo de legislatura" PSOE-Cidadãos, os socialistas não esperam nenhum volte-face.

 

Esta segunda-feira, citado pelo El País, Pablo Iglesias insistiu na possibilidade de um Governo das esquerdas, sugerindo que o PSOE rasgue o pacto com o Cidadãos. "Oxalá o PSOE explore connosco a possibilidade de um acordo no tempo que ainda resta", disse Iglesias.

 

Mas o secretário-geral socialista, Pedro Sánchez, estabeleceu que o pacto PSOE-Cidadãos seria a única base para um eventual acordo que contemplasse também o partido de Pablo Iglesias. Só que o PSOE não acredita que tal possa suceder, independentemente da consulta às bases do Podemos "oferecida" por Iglesias. É que sabendo que toda a cúpula do Podemos é contra o pacto assinado por Pedro Sánchez e Albert Rivera, líder do Cidadãos, os socialistas não acreditam que os militantes do Podemos possam contrariar a direcção do partido e de alguma forma prescindir da via dos 161 deputados (PSOE, Podemos, IU, Compromís) defendida pelo Podemos.

 

Outra possibilidade poderia ainda ser a de um pacto alargado entre as chamadas forças moderadas (PP, PSOE e Cidadãos), como defende o ainda chefe do Executivo espanhol. Segundo o El Mundo, Mariano Rajoy ainda está disponível para oferecer a Sánchez a vice-presidência de um Executivo alargado.

 

Numa mensagem hoje publicada na sua conta da rede social Twitter, Rajoy defendia a grande coligação como a "única opção séria" e que "une o essencial", desde logo porque aquelas três forças políticas coincidem em temas cruciais como a unidade de Espanha, a soberania nacional, a igualdade, o projecto europeu e a luta contra o terrorismo. Mas Antonio Hernando também colocou essa hipótese completamente de parte: "O senhor Rajoy pode ‘meter no bolso’ qualquer oferta, se é que tinha previsto fazê-la". 

Ainda assim, o conservador ABC escreve esta segunda-feira que apesar de pretender negociar uma grande coligação com o PSOE e o Cidadãos, o partido liderado por Rajoy rejeita tomar qualquer iniciativa, esperando, pelo contrário, que seja Pedro Sánchez a dar o primeiro passo no sentido de viabilizar conversações que o próprio colocou de parte. Contudo, a correr contra o tempo - o prazo para ser formado Governo termina a 2 de Maio - o PSOE encara cada vez como mais real o cenário de novas eleições.

Com esta noção presente, o PSOE tentar agora colocar o ónus da responsabilidade do falhanço na formação de um "Governo progressista e de mudança" nas costas do Podemos, assim tentando empurrar o partido de Iglesias para a franja mais radical do eleitorado ao mesmo tempo que se afirma como o verdadeiro mediador e partido do centro.




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