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Especialistas não acreditam em retaliação militar russa contra a Turquia

O presidente Putin avisou que o abate de um avião militar russo pelas forças turcas vai ter "consequências muito sérias". Contudo, a retaliação de Moscovo dificilmente poderá passar pela via militar, devendo concentrar-se em consequências económicas, garantem especialistas ao Negócios.

Bloomberg
David Santiago dsantiago@negocios.pt 24 de Novembro de 2015 às 17:22
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Poucas horas haviam passado desde que a força aérea turca abatera o avião militar russo Sukhoi Su-24 e já Vladimir Putin, presidente da Rússia, avisava que este "trágico evento" irá ter "consequências muito sérias, inclusivamente para as relações russo-turcas". Pouco depois, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, convocou uma reunião de emergência com generais, chefes dos serviços de informação e alguns ministros da Turquia.

 

Esta sucessão de acontecimentos e declarações pode indiciar eventuais retaliações militares? "Penso que não. Não haverá uma acção militar por causa desta situação", responde o general Loureiro dos Santos acompanhado por Bernardo Pires de Lima que não acredita "que vá haver qualquer tipo de retaliação militar".

 

Tanto o antigo ministro da Defesa como o investigador do Instituto de Relações Internacionais (IPRI) coincidem na convicção de que a resposta russa irá incidir essencialmente em sobre as relações económicas entre os dois países.

 

No entanto, há também dúvidas e receios quanto à possibilidade de a acção no âmbito do "direito de defesa do nosso território", segundo palavras do

Não haverá uma acção militar por causa desta situação.
General Loureiro dos Santos

primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, poder penalizar os intentos, proclamados pelo presidente francês, François Hollande, de constituição de uma coligação alargada para combater o autoproclamado Estado Islâmico (EI).

 

Também aqui as preocupações poderão ser manifestamente exageradas. Para Loureiro dos Santos, este "incidente" não vai colocar em causa a unidade internacional no combate ao EI, porque "os interesses em jogo, contra este adversário preocupante, ultrapassam qualquer querela.

 

Já Bernardo Pires de Lima considera que Moscovo vai prosseguir aquela que é a estratégia russa em relação à aliança atlântica: "O objectivo principal da Rússia é dividir os aliados da NATO". No caso concreto e tendo em conta a ameaça jihadista, Pires de Lima defende que a Rússia vai agora "tentar expor as divergências dos aliados da NATO quanto ao compromisso anti-EI".

 

Como tal, a expectativa é a de que a Rússia, que a partir dos ataques terroristas de 13 de Novembro, em Paris, passou a coordenar os ataques aéreos contra as posições do EI na Síria e no Iraque, não retroceda no objectivo de consolidar uma "acção conjunta" contra o EI.

 

Mais difícil de concretizar será a unidade no que ao futuro da Síria diz respeito. Moscovo mantém total apoio ao regime alauita (ramo do islão xiita) de Bashar al-Assad, e sustenta que o presidente sírio representa a única garantia de estabilidade para o país. Já os Estados Unidos e a França mantêm-se intransigentes na exigência relativamente ao afastamento de Assad, um aliado russo na região.

 

Os vários países envolvidos directamente na crise síria apresentam interesses distintos. De um lado, Rússia, Irão e o partido libanês Hezbollah, os dois últimos com homens no terreno a combater junto das forças leias a Damasco: todos pretendem a continuidade de Assad. Já a coligação internacional, liderada pelos Estados Unidos, e que integra Estados como a França ou os sunitas Arábia Saudita e Qatar, querem uma transição de regime. E nem todos aceitam que essa transição seja feita com o Assad.

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