Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Eurogrupo disposto a resgate de 86 mil milhões mas também a oferecer à Grécia saída temporária do euro

Os ministros das Finanças do euro estarão disponíveis para um terceiro empréstimo, de novo maior do que o acordado a Portugal, mas, pela primeira vez, também estarão abertos a oferecer à Grécia a saída temporária do euro.

Reuters
Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 12 de Julho de 2015 às 17:43
  • Assine já 1€/1 mês
  • 58
  • ...

A versão não oficial das conclusões da reunião dos ministros das Finanças do euro, que está a ser citada por alguns correspondentes em Bruxelas, refere a disponibilidade de o Eurogrupo iniciar as negociações com vista a conceder um terceiro empréstimo de até 86 mil milhões de euros à Grécia, na condição de o governo grego aprovar até quarta-feira, 15 de Julho, um Orçamento rectificativo que, entre outras medidas, eleve a arrecadação fiscal, designadamente através da alteração das taxas IVA, e reduza a despesas com pensões, limitando as reformas antecipadas. 

 

Nesse texto do Eurogrupo, admitir-se-á, porém, que, caso o desacordo persista ou o governo falhe em legislar as doze medidas prioritárias que são reclamadas pelos credores (entre as quais está também a aprovação de medidas que compensem o efeito orçamental das decididas unilateralmente por Atenas e o regresso dos técnicos da troika - chamadas de "instituições" no texto - ao país), deverá ser oferecida à Grécia a saída temporária do euro e, nesse contexto, a possibilidade de reestruturação da sua dívida. 

 

Após as oito horas reunião de ontem e as quase cinco desta manhã, que se somam a treze reuniões sobre a Grécia em menos de um mês, os ministros das Finanças terão, assim, decidido confrontar os líderes dos países do euro, incluindo Alexis Tsipras, com as duas opções.

 

"O Eurogrupo toma nota da possibilidade de um programa assegurar necessidades de financiamento de 82 a 86 mil milhões de euros", refere o texto que está a ser citado por jornalistas em Bruxelas.  O valor de 86 mil milhões é o mais elevado alguma vez referido para um eventual terceiro resgate à Grécia. Até agora falava-se entre 30 e 50 mil milhões de euros, tendo o FMI avançado há uma semana necessidades de 70 mil milhões de euros. Só a banca, que está encerrada e submetida a controlos de capitais desde 26 de Junho, poderá precisar de até 25 mil milhões de euros para recapitalizar-se, após assumir as perdas que tem vindo a acumular.

 

Desde 2010, a Grécia recebeu cerca de 240 mil milhões de euros da comunidade internacional – FMI e, essencialmente, dos outros países do euro - e recebeu um perdão de dívida dos bancos e instituições financeiras de cerca de 100 mil milhões. A título de exemplo, 78 mil milhões de euros foi o valor em que foi cifrado inicialmente o resgate a Portugal, e a última fatia de 2,6 mil milhões não chegou a ser pedida pela governo.

 

Perdão nominal de dívida só fora do euro

 

No cenário em que seja alcançado um acordo de princípio que permita o início das negociações de um terceiro resgate, o Eurogrupo refere que será preciso "explorar as possibilidades de reduzir o envelope financeiro [estimado pela troika entre 82 e 86 mil milhões] através de um ritmo de consolidação orçamental alternativo [necessariamente mais exigente do que o até agora previsto, de excedentes orçamentais primários a crescer de 1% neste ano até 3,5% do PIB em 2018] ou de receitas mais elevadas das privatizações".

 

A venda de activos do Estado grego prometidas pelos sucessivos governos do país tem ficado substancialmente aquém do previsto, estando agora de regresso uma velha proposta de pôr a condução dos processos de privatização nas mãos de um "trust" internacional independente, algo que tenderá a ser mal-recebido por um Executivo que prometeu recuperar total soberania e que terá apresentado um programa de austeridade de 12 mil milhões de euros depois de o Syriza ter prometido um pacote expansionista de 13 mil milhões.

 

No cenário em que se constate vontade e capacidade de Atenas de executar as medidas prometidas, o Eurogrupo diz ainda estar aberto a recuperar os termos da promessa que fez à Grécia em Novembro de 2012, admitindo a possibilidade de voltar a estender o prazo de carência e as maturidades dos empréstimos europeus - isto, se Atenas implementar o programa nos termos acordados e, mais próximo do final do novo programa de três anos, continuar a sentir dificuldade em regressar ao financiamento pelos mercados.

 

Neste momento, as taxas de juro cobradas à Grécia são praticamente iguais às que os fundos de resgate do euro (que têm rating máximo) conseguem captar nos mercados, tendo sido decretado um prazo de carência de dez anos para o pagamento de juros (a Grécia só começará a pagar aos europeus em 2023), ao mesmo tempo que os prazos de maturidade foram prolongados para uma média que ronda 30 anos. Trata-se de condições mais favoráveis do que as aplicadas aos demais resgatados do euro, entre os quais Portugal.

 

Caso o "cenário A" não tenha condições para avançar, o texto do Eurogrupo abre a porta à saída "temporária" da Grécia da Zona Euro e a uma possível reestruturação da sua dívida. O Ministério alemão das Finanças, na análise que terá feito às propostas gregas, admite uma saída temporária do euro (durante cinco anos) e uma reestruturação de dívida eventualmente acordada no quadro do Clube de Paris, o que a alargaria aos países ricos da comunidade internacional, incluindo Estados Unidos, maior accionista do FMI.

 

Ver comentários
Saber mais Bruxelas Eurogrupo economia negócios e finanças
Outras Notícias