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Exportações portuguesas "fintam" recessão europeia (act.3)

Dados do INE revelam que o único motor da economia portuguesa continuou a crescer, e a bom ritmo, em Fevereiro.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 09 de Abril de 2012 às 11:19
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As exportações nacionais continuaram a crescer a taxas de dois dígitos em Fevereiro, tendo inclusive aumentando ligeiramente o seu ritmo de progressão para o mercado comunitário, que estará a atravessar uma nova fase de contracção económica.

Depois de terem crescido 13,3% em termos homólogos em Janeiro (valor hoje revisto em alta face aos 13,1% inicialmente reportados pelo INE) as vendas de “made in Portugal” para o exterior subiram 13,2% em Fevereiro, totalizando 3.752 milhões de euros.

No caso do mercado comunitário – que nas previsões de organismos internacionais, como a OCDE e o FMI, terá vivido uma recessão "moderada" entre a recta final de 2011 e o primeiro trimestre de 2012 – as vendas portuguesas subiram 6,8%, ligeiramente acima dos 6,2% registados em Janeiro.

As taxas de crescimento mais expressivas continuam, no entanto, a escrever-se para os mercados exteriores à União Europeia (34,8% em Fevereiro, após 37,8% em Janeiro), onde se encaixam Angola e Brasil, países que estão a ganhar relevância para as exportações nacionais.

Combustíveis minerais (em especial óleos de petróleo) e de novo ouro “incluindo o ouro platinado, em formas semimanufacturadas, para usos não monetários essencialmente para o mercado belga” explicam o essencial do acréscimo das exportações, refere o INE.

Estes números sugerem que a forte desaceleração sentida no crescimento das exportações em Dezembro de 2011 terá sido um fenómeno pontual, embora alguns dados, como o volume de negócios da indústria e as carteiras de encomendas, apontem para a probabilidade de um arrefecimento do motor exportador – o único que tem permitido que a recessão portuguesa não se tenha ainda revelado mais profunda.






















Importações com sinal negativo, após meses de desaceleração

A manutenção de um bom ritmo de progressão das exportações foi acompanhada de uma redução homóloga das importações, que diminuíram 3,5%, para 4.472 milhões de euros, face ao valor registado em Fevereiro de 2011, devido “principalmente ao decréscimo verificado nas chegadas de Veículos e outro material de transporte provenientes dos parceiros comunitários”, explica o INE.

Tendo como referência o trimestre compreendido entre Dezembro de 2011 e Fevereiro de 2012, as exportações subiram em média, em termos homólogos, 10,2%, e as importações 6%, o que determinou um desagravamento do défice da balança comercial no montante de 1.828,3 milhões de euros. Neste período, a taxa de cobertura subiu para 78,5%, quando um ano antes estava em 67%. Sem combustíveis e lubrificantes, a taxa de cobertura está já em 149,1%, ou seja, retirando o essencial da “factura energética”, Portugal exportou entre Dezembro e Fevereiro quase 50% mais do que importou.

Por produtos, combustíveis e lubrificantes foram os que registaram o maior, e “acentuado”, acréscimo de vendas ao exterior no trimestre terminado em Fevereiro (103,3% face ao período homólogo), devido sobretudo aos produtos transformados. O INE destaca ainda o comportamento das exportações de produtos alimentares e bebidas (14,5%) e de máquinas e outros bens de capital (13,5%).

Em relação às importações, as quedas mais significativas registaram-se na categoria de material de transporte e acessórios (-25,2%), principalmente nos Automóveis para transporte de passageiros, e nas máquinas e outros bens de capital (-9,2%). Em sentido contrário, o INE destaca o aumento do peso dos combustíveis e lubrificantes (+38,7%) importados, que será parcialmente explicável pela subida do preço do petróleo.

(Notícia actualizada às 12h30 com mais informação e gráfico)



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