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Extrema-direita pode governar na Andaluzia e dar mote a Sánchez

Depois de pela primeira vez entrar, em democracia, num parlamento regional espanhol, a extrema-direita espanhola poderá aliar-se ao PP e ao Cidadãos para governar a Andaluzia. Pedro Sánchez rejeita antecipar eleições gerais mas já se prepara para assumir liderança com o crescimento da direita radical.

EPA
David Santiago dsantiago@negocios.pt 03 de Dezembro de 2018 às 12:59
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As análises aos resultados nas eleições andaluzes deste domingo variam entre o destaque dado à derrocada dos socialistas (PSOE), que pela primeira vez na história democrática podem perder o governo andaluz, e à irrupção da extrema-direita (VOX), que nunca havia entrado num parlamento regional desde a transição democrática. Mas a grande novidade foi mesmo o apoio dado ao bloco da direita pelo eleitorado andaluz.

É que depois de 36 anos de governação socialista na região autonómica, as eleições de ontem resultaram numa maioria absoluta do bloco da direita (PP, Cidadãos e Vox), que poderá entender-se para formar governo e afastar os socialistas. Com a totalidade dos votos praticamente concluída e com a distribuição de assentos definida, já se começam a fazer contas tanto sobre o futuro da Andaluzia como do governo espanhol.

Mesmo vencendo, o PSOE perde 14 assentos parlamentares e uma eventual coligação com a Adelante Andalucía (aliança andaluza entre Podemos, Esquerda Unida e ecologistas) é insuficiente para chegar aos 55 deputados que dão maioria absoluta no parlamento andaluz.

Desta forma, só a direita dispõe de condições para chegar à maioria, assim PP e Cidadãos se disponham a coligar-se ou receber o apoio da extrema-direita. Isto tendo em conta que a baronesa socialista e ainda presidente do governo regional, Susana Díaz, parece recusar apoiar um governo que seja liderado pelo PP ou chefiado pelo Cidadãos. Díaz é a grande derrotada, vendo sair furada a estratégia de antecipar eleições para conter potenciais danos provocados pela governação do PSOE ao nível nacional.

De parte parece estar definitivamente a reedição de coligação PSOE-Cidadãos, com este partido de centro-direita a recusar governar coligado com os socialistas, que sublinham ter sido o partido mais punido pelo eleitorado andaluz.

Depois de, ao longo da campanha, terem defendido que o candidato a chefiar o governo da Andaluzia deve ser o candidato mais votado da direita, os candidatos do PP (26 deputados), Juan Manuel Moreno (Juanma Moreno), e do Cidadãos (21 mandatos), Juan Marín, já sinalizaram querer governar e nenhum desdenha o apoio dos 12 deputados do Vox de Francisco Serrano (à direita na foto).

Juanma Moreno defende a "legitimidade democrática" conquistada tanto pelo Cidadãos como pelo Vox e lembra que o PSOE se aliou, ao nível nacional, com independentistas catalães e bascos para colocar Pedro Sánchez na Moncloa, para deixar claro que pode perfeitamente receber o apoio da extrema-direita. Com o Vox, Moreno espera estabelecer uma relação "fluída e sincera".

O Vox, que a nível nacional é liderado por Santiago Abascal (ao meio na foto), foi mesmo o grande vencedor destas eleições. Os 12 deputados eleitos mostram que este partido não conquistou somente votos à abstenção e à direita, sobretudo junto do eleitorado tradicional do PP, como tmbém "roubou" muito do voto de descontentamento de eleitores que tradicionalmente votam à esquerda. Isto porque a quebra de votos no PSOE não foi acompanhada pelo reforço do Podemos, pelo contrário o conjunto das forças que integram a Adelante Andalucía perde dois deputados face a 2015. Também do lado dos vencedores está o Cidadãos, que passou de 9 para 21 deputados.

Sánchez muda de estratégia

"O meu governo continua", atirou o primeiro-ministro e líder socialista Pedro Sánchez, rejeitando leituras nacionais das eleições autonómicas andaluzas. Contudo, naquele que foi o primeiro teste eleitoral desde que Sánchez assumiu a liderança do executivo espanhol, o PSOE sai claramente fragilizado, pese embora os níveis favoráveis nas sondagens. Tendo chegado ao poder sem eleições mas na sequência de uma moção de censura contra o ex-primeiro-ministro Mariano Rajoy, Sánchez vê-se pressionado a antecipar eleições gerais, tal como se havia inicialmente comprometido. Tanto Pablo Casado (líder do PP) como Albert Rivera (presidente do Cidadãos) já vieram exigir eleições antecipadas.  

Todavia e mesmo sem convocar eleições, o secretário-geral do PSOE pensa já nas próximas eleições gerais. Ante o crescimento da extrema-direita, Sánchez assume o combate contra o crescimento do radicalismo. Nesse sentido, o responsável pela organização interna do PSOE e ministro do Fomento, José Luis Ábalos, avisou já que agora o "combate" dos socialistas é "liderar a frente democrática na batalha pela democracia contra o medo". Daí não ser inocente a pergunta por este formulada sobre se PP e Cidadãos pretendem assumir como seus os votos da extrema-direita.

Ou seja, às críticas de que se aliou a forças da extrema-radical (Unidos Podemos) e independentistas para governar vindas da direita (PP e Cidadãos), Pedro Sánchez pretenderá responder que o PSOE é o partido melhor posicionado para impedir que a extrema-direita chegue à Moncola. 

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