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Felipe González junta-se às críticas à liderança de Sánchez

O ex-líder socialista está contra a estratégia do actual secretário-geral. Pedro Sánchez enfrenta uma crescente divisão no partido que rejeita qualquer tipo de aliança com o Podemos.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 28 de Janeiro de 2016 às 13:51
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Quando faltam apenas dois dias para o Comité Federal do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que se realiza no sábado, 30 de Janeiro, o secretário-geral socialista, Pedro Sánchez, está cada vez mais pressionado e com a liderança mais fragilizada. Desta feita foi Felipe González, antigo líder do partido, que em entrevista ao El País, criticou a possibilidade de uma aliança dos socialistas com o Podemos.

 

"O comportamento arrogante dos líderes do Podemos, com humilhações que deixam a descoberto quais as suas reais intenções, não é aceitável", diz o histórico dirigente socialista que atribui ao partido liderado por Pablo Iglesias uma intenção de "liquidar o marco democrático de convivência e, de caminho, os socialistas".

 

Ora, o receio de que uma aproximação ao Podemos possa resultar numa espécie de "pasokização" do PSOE, a exemplo do que sucedeu na Grécia onde o Pasok foi eleitoralmente substituído pelo Syriza.

 

Ainda no início de Janeiro, Susana Díaz, presidente do Governo autonómico da Andaluzia e putativa opção para substituir Sánchez na liderança do PSOE, corroborava a tese agora enunciada por Felipe González ao defender que "o insensato é querer presidir um país que se está disposto a romper com um referendo de secessão", lembrando o referendo sobre a independência da Catalunha pretendido pelo Podemos.

 

Reconhecendo ser muito difícil conseguir formar um "Governo progressista e reformista", Felipe González rejeita a possibilidade de um acordo tripartido entre PP, PSOE e Cidadãos. O antigo líder do PSOE acredita que o melhor seria que o PP, "com [Mariano] Rajoy ou outro candidato", e com o apoio do Cidadãos, tentasse formar Governo. Caso a tentativa fracassasse, o PSOE poderia então negociar com o Cidadãos e a "amálgama" do Podemos, um potencial acordo com vista a encontrar uma solução governativa.

 

No fundo, aquilo que o ex-primeiro-ministro socialista defende é que nem o PSOE deve inviabilizar um Governo do PP, nem os populares devem fazer o mesmo em relação a um Executivo liderado pelo PSOE. Isto se cada um perceber que não será capaz de encontrar o suporte parlamentar necessário a formar Governo.

 

Mas Felipe González não deixa de criticar a leitura aos resultados das eleições gerais de 20 de Dezembro feita pelos partidos tradicionais espanhóis. Sobre o PP diz que "não foi capaz de ler o resultado como aquilo que foi: uma derrota", não só por ter perdido perto de 60 deputados mas também porque "está a ser rejeitado pelos outros partidos. E sobre o PSOE, González sustenta que os socialistas também não perceberam a clara derrota sofrida nas urnas.

 

Por fim, González classifica de "irresponsável" a decisão de Mariano Rajoy, primeiro-ministro agora em funções, rejeitar apresentar-se ao Congresso (equivalente à Assembleia da República) para tentar formar Governo sem se demitir nem permitir que outro dirigente popular pudesse tentá-lo. Para González, a estratégia de Rajoy é clara, porque o período de 60 dias durante o qual podem decorrer negociações tendo em vista a formação de Governo só começa a contar depois de existir, no Congresso, uma primeira tentativa falhada de formar um Executivo.

Assim, Mariano Rajoy tentou ganhar tempo para negociar com o PSOE e o Cidadãos, partidos que o próprio considera estarem "programaticamente próximos" do PP, a formação de um Governo estável. O problema é que, segundo revelou Mariano Rajoy, Pedro Sánchez recusa dialogar com o líder dos populares. E tentou aproveitar a detenção de vários elementos do PP Valência por suspeitas de corrupção como mais uma prova de que é crucial afastar o PP do poder.

Podemos quer governar

 

Quem também não cessa a sua pressão sobre o líder do PSOE é Pablo Iglesias, secretário-geral do Podemos. Iglesias afiança que nem os eleitores nem as bases do PSOE pensam como o seu antigo líder, e chega mesmo a acusar González de se alinhar à direita, nomeadamente, às posições do também ex-primeiro-ministro José María Aznar.

 

Depois de na semana passada ter proposto ao rei Felipe VI a formação de um Governo PSOE/Podemos, Iglesias não desiste de tentar chegar ao poder. No entanto, esta é uma possibilidade amplamente rejeitada no seio do PSOE. Para contornar esta aparente impossibilidade, o La Vanguardia refere que Sánchez pretende chegar à presidência do Governo com a votação favorável do Podemos e do Cidadãos. Contudo, Albert Rivera, líder deste partido liberal, dificilmente apoiará um Executivo que conte também com o apoio do Podemos.

 

Rivera, que se mostrou logo após as eleições disponível para apoiar parlamentarmente a investidura de um Governo liderado pelos populares e que nas últimas semanas tentou servir de mediador entre PSOE e PP, juntou a sua voz à de Felipe González considerando que a rejeição de Mariano Rajoy de tentar formar Governo foi uma "irresponsabilidade". "Se não tens [apoios], ou dialogas e tentar alcançar uma maioria, ou afastas-te", disse.

 

Pedro Sánchez terá agora de chegar ao Comité Federal do PSOE, que servirá para reajustar a estratégia política do partido e agendar o próximo Congresso, com um objectivo bem definido. Caso contrário, é bem possível que o Congresso seja marcado com brevidade, o que a acontecer deverá significar o afastamento do actual líder socialista. Susana Díaz está à espreita.

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