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George Soros: Europa deve salvar os bancos antes de resgatar os Estados

O investidor norte-americano diz que a Europa está a cometer pelo menos dois erros na actual crise e aponta soluções para resolver ambos.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 14 de Dezembro de 2010 às 13:26
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George Soros critica hoje, num artigo de opinião publicado no “Financial Times”, a forma como os líderes europeus estão a responder à crise que ameaça a viabilidade do euro.

O conhecido investidor norte-americano identifica “pelo menos dois erros” que foram tomados pelos líderes da Zona Euro. O primeiro diz respeito à sua determinação em evitar incumprimento e reestruturação (“haircut”) na dívida actual dum país da Zona Euro, por temerem que tal iria provocar uma crise no sistema bancário.

“Os obrigacionistas dos bancos insolventes são protegidos à custa dos contribuintes”, critica Soros, acrescentando que “tal é politicamente inaceitável”.

O segundo erro identificado por Soros diz respeito aos juros cobrados pelo fundo de emergência, “tornando impossível aos países mais fracos melhorar a sua competitividade”

Desta forma, diz Soros, “a divergência vai continuar a aumentar e os países mais fracos vão continuar a ficar mais fracos”. Tal deverá gerar um aumento do ressentimento entre credores e devedores, gerando um “levado risco de que o euro venha a destruir a coesão política e social da União Europeia”.

Depois de apontar os erros, Soros aponta as soluções que os podem corrigir. Em relação ao primeiro, Soros defende que o fundo de resgate europeu deveria antes ser utilizado para recapitalizar os bancos, bem como providenciar empréstimos aos Estados.

O investidor considera que usar o dinheiro dos contribuintes para salvar os bancos seria “mais eficiente” do que para emprestar aos países, uma vez que “deixaria os Estados com défices menores, e poderiam voltar a ter acesso aos mercados financeiros de forma mais célere se o sistema bancário for devidamente recapitalizado”.

“É melhor injectar capital em vez de mais tarde e é melhor tomar esta acção duma forma coordenada na União Europeia, em vez os países agirem cada um por si”, explica Soros, acrescentando que “tal iria criar um regime regulatório europeu” e reforçar o controlo da Europa nos bancos.

Em relação à taxa de juro cobrada aos países que recorrem ao fundo de emergência europeu Soros diz que o juro deveria ser reduzido para a taxa a que a União Europeia se consegue financiar.

“Estas duas alterações estruturais podem não ser suficientes para dar uma escapatória aos países que necessitam de ajuda”, diz George Soros, reconhecendo que podem ser necessárias “medidas adicionais, como uma reestruturação de dívida soberana”.

Ainda assim, “se estiverem devidamente recapitalizados, os bancos podem absorver este choque” e serão “evitados dois claros erros que podem condenar a União Europeia a um futuro desolador”, finaliza o artigo publicado no FT, que tem como título “Europa deve salvar os bancos antes dos Estados”.



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