Europa Iglesias e Errejón garantem estar tudo bem e apelam à unidade do Podemos

Iglesias e Errejón garantem estar tudo bem e apelam à unidade do Podemos

Os números um e dois do Podemos afastam a ideia de uma luta pelo poder no partido e apelam à unidade interna. Errejón acusa mesmo o PSOE de estar por detrás desta "ofensiva" contra o Podemos.
Iglesias e Errejón garantem estar tudo bem e apelam à unidade do Podemos
Reuters
David Santiago 10 de março de 2016 às 14:21

"O Pablo [Iglesias] e eu estivemos hoje um bom bocado juntos a pensar como ultrapassar este ataque, e vamos pará-lo", escreveu esta quarta-feira à noite Íñigo Errejón (à esquerda na foto), líder parlamentar e número dois do Podemos, numa mensagem dirigida às bases do partido.

 

Após a vaga de demissões em vários sectores regionais do Podemos, que colocaram em causa a unidade do partido, Errejón pediu aos militantes do partido para não deixarem que estas questões afectem a unidade nacional da terceira força política mais votada nas eleições gerais espanholas de 20 de Dezembro.

 

Confrontados com as notícias que davam conta de uma luta pelo poder dentro do partido, Iglesias e Errejón afiançam que tudo está bem entre eles e acusam o PSOE de ser responsável por esta "ofensiva" contra o partido.

 

As garantias de cumplicidade foram trocadas através de mensagens via Twitter, com Errejón a garantir estar "ombro a ombro" com Iglesias, e este a afirmar que "é uma honra ser secretário-geral com vocês a meu lado".

 

As acusações aos socialistas foram feitas na referida mensagem enviada às bases do partido, onde é escrito que todo o "aparato" em torno do Podemos resulta da necessidade de os socialistas "esconderem" a recente aproximação do PSOE ao PP, e que o Podemos considera que está a ser impulsionada por Albert Rivera, líder do Cidadãos.

 

A tensão interna no Podemos estalou na passada segunda-feira, na sequência da demissão de Emilio Delgado Orgaz de secretário do Podemos na comunidade de Madrid. Delgado Orgaz, apoiante de Errejón, acusa o partido de estar paralisado e critica a "ausência" e falta de empenho de Luis Alegre, número um do Podemos na capital espanhola e um dos principais apoiantes de Iglesias.

 

No seguimento desta demissão, mais nove dirigentes do conselho autonómico do Podemos de Madrid, considerados próximos de Íñigo Errejón, demitiram-se devido à "deriva" da direcção do partido naquela região. Mas este não é caso único. Nas últimas semanas foram registadas fracturas internas no partido, o que levou a direcção do Podemos a mudar as direcções regionais no país Basco, em La Rioja, na Cantábria e na Galiza.

 

Apesar das garantias de unidade interna dadas pelas duas principais figuras, o El Mundo escreve que a "conclusão mais evidente" deste processo de fractura da secção do Podemos de Madrid é a existência de uma luta das duas principais facções do partido – cada uma favorável a Iglesias e Errejón – naquela que é a mais importante estrutura regional desta força que agregou vários movimentos de cidadãos. 

Alegadamente, a corrente política mais próxima de Errejón defende que o Podemos deve excluir-se de quaisquer negociações com o PSOE tendo em vista a formação de Governo, defendendo, em alternativa, que o partido deve concentrar esforços no objectivo de que sejam realizadas novas eleições em Espanha, acreditanto que, tal como na Grécia, onde o Syriza substituiu o Pasok (partido de centro-esquerda) no especto político grego, o Podemos pode superar os socialistas em termos de expressão eleitoral. 




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