Europa Integração dos refugiados tem efeitos positivos na economia, diz FMI

Integração dos refugiados tem efeitos positivos na economia, diz FMI

Um relatório publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FM) esta quarta-feira mostra que o acolhimento de refugiados pode trazer impactos económicos positivos. No entanto, a integração deve ser feita com rapidez e eficiência.
Integração dos refugiados tem efeitos positivos na economia, diz FMI
Srdjan Zivulovic/Reuters
Liliana Borges 20 de janeiro de 2016 às 10:00

A curto prazo, o efeito macroeconómico do fluxo de refugiados originará um aumento, ainda que modesto, do Produto Interno Bruto (PIB), reflectindo a expansão fiscal associada às contribuições dos requerentes de asilo, bem como ao crescimento da oferta de forças de trabalho, com a introdução dos refugiados no mercado de trabalho dos países de acolhimento. Este é o resultado do estudo "A onda de refugiados na Europa: os desafios económicos", apresentado esta quarta-feira, 20 de Janeiro, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

O relatório do Fundo Monetário Internacional alerta que devem apostar-se em políticas que "abram o caminho para o mercado de trabalho", nomeadamente no que diz respeito à diminuição de restrições no acesso a vagas de emprego, quer no sector privado,  quer no sector público, durante o período em que os seus pedidos de asilo são analisados, bem como a aposta numa política activa de ofertas de emprego dirigidas a refugiados.

Outra sugestão apresentada é a maior flexibilidade na sua mobilidade geográfica. Tal permitiria que os refugiados se deslocassem para onde a oferta de emprego apresenta níveis mais elevados. Se esta é uma medida que pode assustar os trabalhadores nacionais, os autores do relatório sublinham que "estes efeitos adversos são mínimos e temporários".

A urgência? "Quanto mais depressa os refugiados conseguirem emprego, mais ajudarão as finanças públicas através do pagamento de impostos e das suas contribuições para a segurança social", responde o relatório do FMI. Além disso, "o sucesso da sua integração no mercado de trabalho irá conter alguns dos efeitos orçamentais adversos do envelhecimento da população".

Não obstante, o cenário continua a ser difícil de prever, uma vez que os efeitos dependem "do número e composição dos refugiados e de quantos deles podem (e querem) permanecer a longo prazo num país, ou a velocidade a que se irão adaptar ao mercado de trabalho".

Dados os altos níveis de desemprego em vários países da União Europeia esta integração poderá demorar mais do que o previsto, o que diminui a longo prazo as contribuições fiscais dos refugiados.

Questionados a propósito dos efeitos negativos para a economia de países de acolhimento com já elevados níveis de desemprego, os autores do estudo esclareceram, numa conferência de imprensa em que o Negócios participou, que "os impactos negativos tendem a ser pequenos e temporários". Além disso, destacam que os países que estão a receber o maior fluxo de refugiados são os que têm baixos níveis de desemprego, como é o caso da Alemanha, Áustria e Suécia.

Os autores avisam: "a economia tem de mudar, no sentido lato. E os refugiados também". Antecipam que "o impacto deve ser bastante rápido", mas os governos devem implementar já programas de integração que incluem cursos de línguas e acesso a trabalho temporário.

À questão da existência de um número um limite de acolhimento de refugiados a partir do qual o impacto económico passará de positivo a negativo, os especialistas disseram ao Negócios que não têm conhecimento de nenhum número. "Baseados em experiências anteriores acreditamos que existem outros factores importantes que vão determinar o sucesso do impacto orçamental e que não se prendem com limites de acolhimento", consideram.


Esta não é a primeira vez que o impacto económico positivo do acolhimento de refugiados é apontado como uma vantagem. Ainda a 13 de Janeiro, o banco alemão Deutsche Bank, citado pelo El Mundo, prevê que a contribuição dos refugiados pode causar uma subida até 1,5% do PIB alemão nos próximos cinco anos. Não obstante os frequentes alertas da União Europeia, dos líderes políticos e até aos agentes económicos e financeiros, chega agora o trabalho do FMI.




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