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Juros de Itália em máximos de 3 meses após demissão de aliados de Berlusconi

Os juros de Itália avançaram para máximos de três meses após a demissão dos aliados de Berlusconi que integravam o governo de coligação. Possibilidade de clarificação política em Itália apela aos analistas.

Bloomberg
Hugo Paula hugopaula@negocios.pt 30 de Setembro de 2013 às 13:18
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A demissão dos membros do partido de Sílvio Berlusconi que integravam o governo de coligação liderado por Enrico Letta, no passado sábado, provocou uma crise política na terceira maior economia do país.

 

A reacção dos investidores à notícia levou à subida dos juros implícitos na dívida de Itália, que avançam entre cinco e 10 pontos base na generalidade das maturidades. A "yield" das obrigações a 10 anos avança 8,7 pontos base para 4,502%, segundo as taxas genéricas da Bloomberg para o mercado secundário.

 

Na bolsa, o sector da banca, que é o mais exposto às variações do valor da dívida pública, lidera as perdas. Já na Europa, é a crise orçamental dos Estados Unidos que mais pressiona os índices accionistas. "Precisamos de um pouco mais de estabilidade em Itália, mas já era um pouco confusa antes, por isso, no resto da Europa, são os Estados Unidos que estão a pressionar", disse um operadora da TJM Partners, à Reuters.

 

A demissão dos ex-ministros que são alidados de Berlusconi poderá resultar na clarificação da situação política, segundo o JPMorgan. Enrico Letta convocou uma moção de confiança para dia 2 de Outubro, quarta-feira, e procura o apoio de 24 deputados da oposição. Para já, recebeu o apoio do presidente da república, Giorgio Napolitano, que afirmou que as eleições antecipadas são a alternativa de "último recurso".

 

O sucesso da iniciativa de Letta poderá frustrar Silvio Berlusconi, que disse querer eleições o quanto antes. 

 

O JPMorgan emitiu uma nota de investimento em que comenta que uma vitória “convincente” do primeiro-ministro face ao abandono do partido de Berlusconi iria gerar uma estabilidade política “muito necessária” e poderia levar os juros implícitos nas obrigações de Itália a 10 anos para o nível de 4,25%, voltando “bastante depressa” ao nível em que se encontravam em meados de Agosto. 

 

O banco atribui uma probabilidade “média” à vitória de Letta na moção de confiança, mas também existe “uma boa probabilidade” de que seja Berlusconi a sair ganhador, lê-se na nota citada pela agência Bloomberg. Os investidores devem manter, mas não reforçar, a aposta numa redução do prémio de risco de Itália, recomenda o JPMorgan.

 

O presidente Giorgio Napolitano expressou o seu apoio à iniciativa do primeiro-ministro, dizendo ao “Ansa” que a dissolução do parlamento romano é a “opção de último recurso”. O jornal “Messagero” avançou que este poderá optar por nomear governo de iniciativa presidencial, caso a moção de confiança falhe.

 

O secretário de Estado do país para as Finanças, Steffano Fassina, afirmou à Bloomberg que o orçamento do Estado de Itália será aprovado mesmo que o primeiro-ministro perca a moção de confiança. O país conseguirá manter o défice das contas públicas abaixo do limite de 3% do produto interno bruto (PIB), embora afirme que eleições antecipadas representam uma ameaça para a economia real.

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