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Issing: "Quantos países serão capazes de fazer parte da Zona Euro no longo prazo?"

Otmar Issing, um dos fundadores do euro e ex-membro do Banco Central Europeu (BCE), tem dúvidas que, "no longo prazo", os países que integram a Zona Euro se mantenham. Mas rejeita que o regresso ao marco fosse benéfico para a Alemanha.

Negócios negocios@negocios.pt 08 de Agosto de 2012 às 16:57
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"Está tudo a favor da salvação da Zona Euro", mas "continua por saber quantos países serão capazes de fazer parte dela no longo prazo", considera o economista alemão no livro que publicou esta semana, citado pela Reuters.

Questionado sobre o quão preocupado está em relação ao euro, o economista diz: "Muito mais do que alguma vez imaginei."

"Ainda temos um longo percurso" para continuar a dizer: "é isso, agora estamos certos que vamos progredir". Isto porque "ainda estão pendentes reformas substanciais na maioria dos países", justifica.

Issing rejeita que o regresso às moedas nacionais, que existiam antes do euro, possa ser benéfica, mesmo para a Alemanha. O economista acredita mesmo que será uma ilusão acreditar que a Alemanha possa estar melhor com a sua moeda própria. "Não é o caso", mesmo com a vida curta que o euro tem, a moeda única europeia tem sido mais estável do que o marco – moeda alemã antes da entrada em circulação do euro.

A União Europeia "deve focar-se em levar o euro de volta ao que era suposto: uma moeda estável, estabilizada por um banco central independente, que segue um mandato claro, nada mais." Já "os outros protagonistas, especialmente os governos nacionais, [devem estar focados em] fazer o seu trabalho de casa".

Sem referir nomes, Issing deixa críticas e recados à Grécia, que está a ser ajudada financeiramente pelos seus congéneres. "Um [Estado-membro] tem de considerar se o outro pode continuar a dar dinheiro a um país que ainda não cumpriu totalmente uma obrigação, que continua a não ser transparente, que falsifica mais ou menos coisas."

O responsável sublinha que o BCE "é um banco central e não uma instituição de resgate dos governos que estão sob ameaça de falência. Um banco central funciona sempres como um financiador de último recurso do sistema bancário – mas não como um resgate de governos".

Issing considera também que "expectativas exageradas podem só por si danificar o prestígio da instituição".
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