Europa Juncker critica passividade da Europa e Mogherini pede troca de informações entre serviços secretos

Juncker critica passividade da Europa e Mogherini pede troca de informações entre serviços secretos

O presidente da Comissão Europeia aponta o dedo aos Estados-membros pela demora na adopção das medidas acordadas depois dos atentados de Paris. Já Mogherini insiste na necessidade de agilizar a partilha de informações.
Juncker critica passividade da Europa e Mogherini pede troca de informações entre serviços secretos
Reuters
David Santiago 24 de março de 2016 às 13:22

No dia em que os ministro do Interior e da Justiça da União Europeia se reúnem, com carácter de emergência, em Bruxelas, para encontrar uma resposta comum europeia à ameaça terrorista, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, criticou a passividade dos Estados-membros da União face ao terrorismo.

 

Citado pelo El País, Juncker diz que "o problema existe há anos. Se os Estados-membros tivessem aplicado os planos que aprovámos [depois dos ataques de Novembro em Pairs] não estaríamos como estamos". O luxemburguês diz mesmo que com um maior compromisso europeu perante o fenómeno do terrorismo talvez "não estivéssemos ante acontecimentos tão trágicos".

 

Juncker lamenta que os Estados-membros não tenham aplicado convenientemente a proposta "ambiciosa" feita pela Comissão Europeia em Dezembro relativa ao reforço dos controlos nas fronteiras exteriores da UE e apontou o dedo ao Parlamento Europeu pela demora em aprovar o registo de passageiros aéreos na UE.

 

O presidente da Comissão Europeia insistiu ainda numa das ideias centrais deste pós-atentados de 22 de Março e que passa pela aposta na criação de mecanismos que facilitem e agilizem a partilha de informações entre as forças de segurança e serviços secretos dos Estados-membros.

 

Juncker pede um "aumento da colaboração entre os serviços secretos europeus". Também Federica Mogherini, Alta Representante para a Política Externa e de Segurança da UE, considera que "temos de trocar a informação dos serviços secretos".

 

Em entrevista concedida ao El País, a diplomata italiana garante que a força da UE pode ser "a nossa integração", porque "é ilusório acreditar que a solução europeia não funciona e a nacional sim". "É ao contrário. Porque o que temos agora é um enfoque nacional. Mas o mundo está globalizado. É evidente para todos que necessitamos de instrumentos europeus para enfrentar ameaças que são, no mínimo, de dimensão europeia", sustentou.  

 

Esta quarta-feira, a Comissão Europeia emitiu um comunicado no qual estabelece um conjunto de prioridades para garantir uma resposta mais efectiva no combate ao terrorismo. Neste comunicado a Comissão destaca ainda a Agenda Europeia para a Segurança, adoptada em Abril do ano passado e que visa garantir uma resposta efectiva da União Europeia às ameaças securitárias no período 2015-2020, notando que esta já permitiu alcançar "progressos significativos".

 

Como exemplo é apontado o lançamento, no início de 2016, do Centro Europeu Anti-Terrorismo que funciona através da Europol. e que tem como objectivo apoiar os Estados-membros na luta contra o terrorismo e a radicalização mediante a "facilitação da coordenação e cooperação" entre as autoridades nacionais.

EI é "ameaça sem precedentes"

 

O The Guardian noticia esta quinta-feira que a Europol fez um alerta para os perigos decorrentes desta nova estratégia "agressiva" adoptada pelo autodenominado Estado Islâmico (EI). Rob Wainwright, director deste Serviço Europeu de Polícia, sustenta que o EI é mais perigoso do que se pensava e mostra "preocupação" face à percepção cada vez mais real de que a rede desta organização terrorista está mais disseminada do que se acreditava.

 

"Enfrentamos uma mais perigosa, mais urgente ameaça à segurança do chamado EI. Ameaça não só a França e a Bélgica, mas um número de países europeus ao mesmo tempo (…) É seguramente a maior ameaça que enfrentámos, no mínimo, na última década".

 

O director da Europol destaca ainda a "ameaça sem precedentes" que consiste na capacidade do EI recrutar nas franjas das sociedades europeias. 




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