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Juros de Espanha disparam e Rajoy admite poder pedir ajuda (act.)

Primeiro-ministro espanhol diz que poderá solicitar um resgate se os juros se mantiverem "demasiado elevados".

Negócios negocios@negocios.pt 26 de Setembro de 2012 às 14:11
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As “yields” das obrigações soberanas espanholas a 10 anos estão a registar a maior escalada deste mês, para 6,009%, numa altura em que se prevê a possibilidade de uma segunda noite de protestos violentos nas ruas de Madrid.

Isto num cenário de convocação de eleições na Catalunha (que pede soberania) e de elaboração de um difícil Orçamento do Estado espanhol para 2013.

Os actuais níveis da dívida a 10 anos estão muito próximos dos registados antes de o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, se ter disponibilizado para comprar obrigações espanholas e de outros países da Zona Euro em dificuldades, na condição de pedirem primeiro assistência a um dos fundos de resgate, recorda a Bloomberg.

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, disse ao “The Wall Street Journal” – em comentários confirmados pelo seu gabinete – que é “100% certo” que pedirá ajuda se os custos de financiamento se mantiverem “demasiado elevados”.

Os esforços de Rajoy para restaurar a confiança dos investidores sofreram um novo revés na terça-feira, quando o presidente catalão, Artur Mas, apelou a eleições antecipadas na comunidade, depois de o governo central ter rejeitado o pacote orçamental apresentado pela Catalunha.

Além das obrigações a 10 anos, os juros das restantes maturidades da dívida espanhola estão também em alta, numa sessão em que – em contrapartida – a bolsa de Madrid afunda, seguindo neste momento a cair mais de 3%.

Milhares de manifestantes acorreram ontem às ruas de Madrid, para o chamado “cerco ao Parlamento”, como forma de protesto contra os cortes orçamentais e os aumentos de impostos que Rajoy tem vindo a implementar desde que assumiu a chefia do governo, em Dezembro do ano passado.

Em Junho, os ministros da Economia e das Finanças da Zona Euro acordaram conceder até 100 mil milhões de euros à banca espanhola, estando ainda a ser definido por Espanha qual o valor a que será necessário aceder. Paralelamente, são cada vez mais as vozes que apontam para a necessidade de Espanha ter de pedir ajuda externa, algo que Rajoy tem tentado evitar a todo o custo.

Mariano Rajoy está esta semana em Nova Iorque, e depara-se igualmente com críticas por parte dos seus pares europeus devido à hesitação que tem demonstrado no que diz respeito ao eventual pedido de ajuda – o que permitiria que o BCE comprasse dívida espanhola.
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