Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Juros portugueses a dez anos caem abaixo dos 12% após quatro descidas seguidas

Taxas de juro implícitas sobre a dívida portuguesa caem mais de 20 pontos base na generalidade dos prazos. "Yield" a dois anos segue abaixo dos 10%. Vítor Gaspar contraria Morgan Stanley e traz alívio aos juros.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 20 de Abril de 2012 às 12:40
  • Assine já 1€/1 mês
  • 2
  • ...
Os investidores estão, novamente, a pedir rendibilidades menos elevadas quando trocam dívida portuguesa entre si. Isto depois de um período de mais de duas semanas em que as obrigações lusas estiveram sob pressão. As considerações sobre uma nova ajuda externa a Portugal do Morgan Stanley não abalaram a trajectória de perdas.

A taxa de juro implícita da dívida nacional a dez anos está a cair 24,8 pontos base (0,248 pontos percentuais) no mercado secundário, o que a coloca nos 11,91%. É o quarto dia seguido de deslizes, depois de 12 sessões em que as rendibilidades exigidas pelos investidores (“yield”) não perderam terreno. Desde 4 de Abril que esta taxa não descia da “barreira” dos 12%.

Da mesma forma, a “yield” a dois anos cede 31 pontos base para se situar em 9,66%. Esta é também a quarta sessão de quedas, para um mínimo que não era verificado desde 30 de Março. A taxa está em níveis próximos de 9,2%, alcançados nessa época, mas que não eram verificados desde Abril de 2011, o mês em que Portugal solicitou ajuda externa.

As quedas das taxas de juro implícitas da dívida portuguesa são superiores a 20 pontos base na generalidade dos prazos. A cinco anos, a “yield” das obrigações lusas a cinco anos desce 16,6 pontos base para 13,39%.

Vítor Gaspar traz alívio

O comportamento de alívio dos investidores acontece mesmo depois de o banco de investimento Morgan Stanley ter afirmado que Portugal vai solicitar uma nova assistência financeira externa até Setembro de 2012, depois da ajuda de 78 mil milhões de euros acordada em Abril.

“A actual determinação da Europa para evitar uma nova reestruturação de dívida [como ocorreu na Grécia] pode vir a ser desafiada, se os fundamentais se deteriorarem”, declaram os analistas do banco de investimento norte-americano.

A descida hoje verificada acompanha um desempenho que se registou esta semana mas que não foi sentido nas duas semanas anteriores, período em que os receios com um contágio da crise da dívida a Espanha se intensificaram e exerceram pressão sobre Portugal.

O alívio sobre a dívida lusa acontece depois de Vítor Gaspar ter dado uma entrevista à agência Bloomberg, em que garantiu que o compromisso de Portugal é para regressar aos mercados em Setembro de 2013 mas que, tal como a Europa já admitiu, haverá margem para prolongar o apoio, embora sem serem ainda conhecidas as condições dessa ajuda.

“Vemos isso como um mecanismo de segurança, algo que faz sentido ter. Embora, obviamente, não é por se ter um seguro automóvel que alguém se torna num condutor temerário”, salientou o ministro das Finanças português à Bloomberg.

Na Europa, verifica-se um aumento das “yields” pedidas pelos investidores em Espanha e em Itália, enquanto em França o comportamento é de descida, apesar da incerteza em torno das eleições presidenciais que se realizam este domingo.
Ver comentários
Saber mais juros obrigações yields taxas de juro implícitas mercado secundário de dívida
Outras Notícias