Europa Maria Luís Albuquerque aconselha cautela a interpretar Draghi

Maria Luís Albuquerque aconselha cautela a interpretar Draghi

Mario Draghi foi aplaudido pelos italianos e franceses e desvalorizado pelos alemães. Maria Luís Albuquerque diz que as interpretações diversas se justificam pela "arte cultivada pelos banqueiros centrais" de falarem sem se comprometer. Mas ela própria foi cuidadosa.
Maria Luís Albuquerque aconselha cautela a interpretar Draghi
Miguel Baltazar/Negócios
Rui Peres Jorge 28 de agosto de 2014 às 15:27

A ministra das Finanças considera que as recentes e polémicas declarações de Mario Draghi sobre austeridade não são totalmente claras e que significam coisas diferentes para os vários países da Zona Euro. Aconselha por isso cautela na interpretação das palavras do presidente do BCE sobre a necessidade de uma política orçamental menos restritiva que aproveite a flexibilidade concedida pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento.

 

O banqueiro central falou na sexta-feira numa importante conferência nos EUA e desde então o debate na Europa não parou. O ministro das Finanças alemão considerou que Draghi foi "sobre interpretado". Já os governos italiano e francês aplaudiram. E hoje mesmo François Hollande pediu mesmo que o tema seja debatido ao mais alto nível no Conselho Europeu.

 

Maria Luís Albuquerque não estranha as diferentes interpretações e diz que resultam da capacidade dos banqueiros centrais falarem sem se comprometer. É possível ter várias interpretações das palavras de Draghi, "como de qualquer banqueiro central" pois "essa é uma arte que os banqueiros centrais cultivam", afirmou com alguma ironia, na conferência que se seguiu ao Conselho de Ministros que aprovou o segundo orçamento rectificativo de 2014. 

 

De seguida a responsável pela pasta das Finanças seguiu para aconselhar cautela quanto às interpretações que se possam fazer para Portugal das afirmações de Draghi. No entanto, também ela não se comprometeu demasiado.

 

"É preciso ter particular cuidado no sentido do que isso pode querer dizer para cada país e ter muita atenção às vantagens e desvantagens para cada uma das economias", afirmou, acrescentando um exemplo: "Em 2009 foi dado o conselho para todos [os países] aumentarem a despesa, isso teve um efeito de curto prazo que pareceu bem, mas depois em Portugal veio a crise e o pedido de assistência financeira".

 

Por isso, continuou, "Tudo o que é dito tem de ser visto nas circunstâncias específicas de cada país e tem impactos diferentes para a Alemanha, Finlândia ou Portugal. A ideia da flexibilidade tem que ser encarada  de acordo com" as características de cada capital, reforçou. "Nós temos uma dívida pública elevada e continuamos a ter um défice. Por isso temos de ponderar muito cuidadosamente o que é melhor para os portugueses" no curto e no médio prazos.

 

No orçamento rectificativo o Governo reduziu o esforço previsto de consolidação orçamental estrutural, o qual começou em 1 ponto do PIB no Orçamento do Estado apresentado em Outubro de 2013, tendo em Abril caído para 0,7% no Documento de Estratégia Orçamental, pra agora ficar nos 0,5% do PIB.  




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