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Mattarella pronto para dar nova oportunidade a um governo 5 Estrelas-Liga

O presidente italiano fez saber que está disponível para dar uma nova oportunidade ao 5 Estrelas e à Liga para forjarem um governo político.

EPA
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A cada dia que passa a situação política em Itália sofre alterações significativas. Esta quinta-feira volta a estar em cima da mesa a formação de um governo político nomeado pelo 5 Estrelas e Liga.

 

Este cenário ganhou força ao final do dia de ontem, na sequência de um encontro informal entre Luigi Di Maio (líder do 5 Estrelas) e Sergio Mattarella. O presidente italiano fez saber que está disponível para dar uma nova oportunidade ao 5 Estrelas e à Liga para forjarem um governo político.

 

Uma posição que contrasta com a que foi assumida há poucos dias, quando Mattarella recusou a composição do governo que lhe foi apresentada pelo candidato a primeiro-ministro Gieseppe Conte, devido à escolha para ficar com a pasta das Finanças: o académico eurocéptico Paolo Savona.

 

O presidente italiano decidiu designar um governo neutro, liderado por Carlo Cottarelli, que morreu antes ainda de nascer. Foi o próprio antigo director do FMI que afirmou ontem que aumentaram as probabilidades de ser constituído um "governo político", sendo que depois da turbulência nos mercados e outras circunstâncias "levaram-me a esperar pelos desenvolvimentos".

 

Depois da forte turbulência registada na terça-feira, com os juros da dívida de curto prazo de Itália a darem o maior salto em 26 anos, os mercados acalmaram. Esta quinta-feira os juros recuam pela segunda sessão consecutiva e as bolsas europeias também continuam a recuperar.

 

Maio recua em colocar Savona das Finanças

 

Fontes da presidência italiana citadas pelas agências internacionais, adiantam que Mattarella e Carlo Cottarelli "decidiram em conjunto não apressar as coisas", para favorecer a "possibilidade de um governo político", refere a Reuters.

 

"Liguem-me quando estiverem prontos", é o título da notícia da Bloomberg que dá conta que Mattarella está agora à espera que os partidos populistas mais votados nas eleições lhe apresentem uma nova solução.

 

O sinal mais forte foi já dado pelo líder político do 5 Estrelas. Luigi Di Maio revelou estar disposto a não colocar o académico eurocéptico Paolo Savona como ministro da Economia e Finanças. As reservas de Mattarella estariam somente relacionadas com aquele Ministério, não havendo reservas quanto à restante equipa que lhe foi apresentada.

 

O Corriere della Sera escreve, contudo, que foi depois de se reunir com o presidente que Di Maio deu um passo atrás numa tentativa de reiniciar um processo de formação de um "governo de mudança" em aliança com a Liga de Matteo Salvini.

Já Salvini, em crescendo nas sondagens, que agora lhe dão 27% dos votos, fechou a porta a recuos: "não estamos no mercado, eleições quanto antes". O líder da Liga voltou ainda a criticar a pressão exercida por Bruxelas e mercados e a posterior cedência do presidente. E quanto à colocação de Paolo Savona noutro lugar do governo, Salvini sustentou que "um avançado centro deve jogar a avançado centro e não noutra posição".
 
Novas eleições seriam referendo ao euro. Italianos querem moeda única

Durante a manhã de ontem Cottarelli e Mattarella fecharam o elenco do governo de iniciativa presidencial que o chefe de Estado transalpino promoveu enquanto alternativa a um executivo 5 Estrelas-Liga cujo programa, apesar de depurado das propostas mais eurocépticas, não deixava de conter medidas desconfortáveis para Bruxelas.

No entanto, o ex-director do Fundo Monetário Internacional e Mattarella concordaram que, antes de apresentarem o governo a votos no parlamento, darão margem de tempo para avaliar se Di Maio e Salvini têm condições para acordar um governo político. Assim, Mattarella fará um compasso de espera na expectativa de que Di Maio e Salvini cedam quanto ao nome para as Finanças por forma a constituir o primeiro governo anti-sistema na história da República.

Esta espera resulta da mais do que certa reprovação de um executivo chefiado por Cottarelli, ou de qualquer governo promovido por Mattarella passar no parlamento. Já esta quarta-feira, o chefe político do 5 Estrelas exclui qualquer hipótese de se abster ou dar confiança técnica a um executivo de perfil tecnocrata. "Ou governo político ou ida às urnas", disse.

A confiança técnica seria um expediente para garantir que o governo Cottarelli tomasse posse em plenitude de funções de forma a preparar o Orçamento para o próximo ano. É que, se for chumbado pelo parlamento, Cottarelli chefiará um governo em gestão corrente e sem autoridade, logo incapaz de governar. Nesse cenário, haveria eleições depois do Verão, provavelmente em Setembro ou Outubro. O cenário de eleições em 29 de Julho foi liminarmente rejeitado por Salvini.

Depois de as legislativas de 4 de Março terem dado uma robusta vitória ao 5 Estrelas e colocado a Liga como principal força da direita, acabando com o bipolarismo entre centro-esquerda (PD) e centro-direita (Força Itália), o xadrez político italiano tenderá a confirmar a mudança se houver eleições antecipadas.

Nesta altura é cada vez maior a cisão entre as forças europeístas e os partidos soberanistas, o que transformaria a realização de novas eleições numa espécie de referendo à União Europeia e ao euro.

 

Duas sondagens realizadas para a televisão italiana RAI mostram que os italianos estão claramente favoráveis à permanência de Itália no euro, com a taxa de aprovação a oscilar entre 60% e 72%. Pouco mais de 20% preferem que a terceira maior economia da Zona Euro abandone a moeda única.

 

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