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Merkel: "Quero trazer esperança"

A chanceler alemã assegurou esta tarde que a Alemanha tem sido e continuará a ser "solidária" com Portugal. Os programas de austeridade "não são um fim em si", mas um meio de relançar um crescimento sustentável. "Farei tudo para que Portugal tenha um futuro feliz e para nos darmos bem na Europa". Veja o vídeo.

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Angela Merkel disse esta tarde que a sua visita a Portugal está a servir para conhecer melhor a situação do país, numa altura em que o programa de ajustamento começa a ter consequências muito concretas para a população, e que espera que a sua vinda possa “trazer esperança”.

“A minha visita acontece num momento em que se sentem os efeitos muito concretos do programa de ajustamento, em que a população sente esse impacto”, disse, acrescentando que a sua visita, que serviu também de pretexto para a vinda de líderes das maiores empresas alemãs, traga “esperança”.

"Farei tudo para que Portugal tenha um futuro feliz e para nos darmos bem na Europa". Oxalá, disse, os empresários alemães – maiores investidores de longo prazo em Portugal – “invistam mais” e ajudem a combater o desemprego e relançar o crescimento que, acrescentou, deve assentar na indústria e habilitar a Europa a responder à concorrência de países do resto do mundo, designadamente Índia e China, onde se gera actualmente 90% do crescimento mundial actual.

“Temos de ser todos mais competitivos, não iguais – isso não é possível nem desejável”. Mas “só se Portugal e Alemanha tiverem produtos competitivos é que poderemos subsistir”. “Estamos outra vez num tempo em que a Europa tem de mostrar ao mundo que é competitiva”, disse, numa alusão à Época dos Descobrimentos e ao papel de abertura global então desempenhado por Portugal.

A chanceler referiu-se ainda às várias decisões que foram tomadas no plano europeu no quadro de resolução da crise (designadamente à criação do Mecanismo Europeu de Estabilidade, um FMI europeu com capacidade para ajudar países e bancos), mas também prometeu olhar, no contexto europeu, para formas de “melhorar as condições de financiamento” à economia portuguesa.

Angela Merkel falava no Forte de São Julião da Barra, em Oeiras, onde decorreu o almoço de trabalho com o primeiro-ministro Passos Coelho, antes de se dirigir ao Centro Cultural de Belém onde encerrará o encontro empresarial luso-alemão que decorre desde esta manhã.

“A situação é difícil, mas o que Portugal está a fazer é em benefício do seu futuro e do futuro da Europa”, afirmou, depois de ter referido que este tipo de visitas, sobretudo em tempos de crise, devem ser “intensificadas para que nos compreendamos melhor” e para consolidar a opção pela integração europeia. “Se queremos preservar as nossas liberdades, direitos e valores temos de nos manter solidários”.


Manter o rumo
Angela Merkel recusou ainda elaborar sobre a eventual necessidade de novos ajustamentos ao programa de assistência da troika, depois da flexibilização da meta do défice (de 4,5% para 5%) e de se ter acordado mais um ano para atingir o limite de 3%.

A chanceler insistiu que o programa “não é da autoria da Alemanha” e que, nesse sentido, são deslocadas as críticas endereçadas a Berlim. Mas disse estar convencida de que Portugal vai conseguir cumprir o memorando de entendimento e que a sexta parcela do empréstimo internacional será desembolsada.

Merkel insistiu que as reformas levam tempo a surtir efeito, lembrando que a Alemanha, enquanto procedia a muitas delas no início do novo século, chegou a ter cinco milhões de desempregados, tendo hoje a mais baixa taxa de desemprego da história do país reunificado.

Citando Ludwig Erhard, chanceler alemão nos anos 60 que Merkel identificou como “pai” da economia social de mercado, frisou ainda que, “sendo a política 50% psicologia” cabe aos políticos manterem o rumo de decisões que julguem acertadas sem ficar à espera que estas merecem necessariamente apoio de maiorias variáveis.

(notícia actualizada às 17h00)




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