Europa "Mini Ban Ki Moon" de Roterdão diz que migrantes têm de respeitar a lei

"Mini Ban Ki Moon" de Roterdão diz que migrantes têm de respeitar a lei

Na sequência dos ataques em Colónia, Ahmed Aboutaleb, o presidente da Câmara de Roterdão, muçulmano de origem marroquina que afirma gerir uma "pequena ONU", diz que há duas opções para os migrantes: ou respeitam a lei do país de acolhimento ou regressam a casa.
"Mini Ban Ki Moon" de Roterdão diz que migrantes têm de respeitar a lei
Negócios 12 de janeiro de 2016 às 14:26

Ahmed Aboutaleb é presidente da Câmara de Roterdão desde 2009. Costuma gracejar dizendo que é um "mini Ban Ki Moon", numa referência ao secretário-geral da ONU. Porquê? Porque Ahmed Aboutaleb nasceu em Marrocos, é muçulmano e dirige num país maioritariamente protestante uma cidade portuária de 620 mil habitantes onde coexistem 174 nacionalidades, incluindo cerca de 100 mil marroquinos e turcos muçulmanos.

No rescaldo dos ataques e casos de violações de centenas de mulheres em Colónia, alegadamente perpetrados por muçulmanos e alguns candidatos ao estatuto de refugiado, Ahmed Aboutaleb diz que é fundamental não "misturar" refugiados e terroristas, e que a mensagem para quem chega tem de ser simples: os migrantes, ou respeitam a lei do país de acolhimento ou regressam a casa. "Até que ponto eu sou um muçulmano, no meu espaço privado, só a mim diz respeito, e eu tenho direito a ter a minha verdade. (…) Mas do lado de fora, no espaço público, na minha cidade, há apenas uma verdade e essa é a lei".

Citado pelo EUObserver, Ahmed Aboutaleb frisou ainda que não é possível aos migrantes quererem respeitar "à la carte" a lei ou a Constituição do país de acolhimento. Todos os princípios – da igualdade de género à liberdade de expressão – têm de ser respeitados. 

O presidente da autarquia holandesa defendeu ainda que não é saudável para o debate europeu contornar tabus. "O que faz uma cidade mais resistente, o que nos faz mais fortes é quando nos atrevemos a abrir um debate sobre questões realmente sensíveis". 

O ministro alemão do Interior confirmou na segunda-feira, 11 de Janeiro, que os crimes ocorridos na noite da passagem de ano, em Colónia, foram perpetrados por indivíduos de nacionalidade estrangeira, entre os quais migrantes que chegaram à Alemanha no último ano. "Todos os sinais apontam para que sejam norte-africanos e pessoas do mundo árabe", disse Ralf Jaeger. "Com base no que sabemos agora, requerentes de asilo que chegaram no último ano estão entre os suspeitos".

No domingo, a polícia de Colónia actualizou para 516 as queixas de violência ocorridas durante as festividades de Ano Novo, com 40% das vítimas a relatarem casos de agressão sexual. Várias testemunhas relataram que grupos de 20 a 30 jovens adultos "que pareciam ser de origem árabe" cercaram e agrediram as vítimas.


Os ataques contra mulheres em Colónia e outras cidades alemãs têm provocado um intenso debate sobre a política de "portas abertas" da chanceler Angela Merkel e também uma série de episódios de violência contra refugiados e migrantes. O movimento político anti-Islão, PEGIDA, cujos apoiantes atiraram garrafas e petardos numa marcha em Colónia, antes de serem dispersados pela polícia de choque, realizou um comício na cidade alemã de Leipzig ontem à noite que voltou a ficar marcado pela violência, segundo relata o Financial Times.




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